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Se compreender é impossível, conhecer é necessário.
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Na aula de hoje: Todo vice é um Kinder Ovo; vem com uma surpresa dentro.



terça-feira, 24 de abril de 2012

A direita e a esquerda no século XXI - Assange - O mundo amanhã - segundo episódio



espanhol
http://actualidad.rt.com/mas/envivo/

inglês
http://rt.com/on-air/

QUANDO: HOJE
HORAS:11:30 GMT

domingo, 22 de abril de 2012

Leopoldo Gamberini

Domingo estranho... a tarde fui ao ensaio do Coral Lutherking para ensaiar a ópera O Diário de Anne Frank, de Leopoldo Gamberini. Por causa de um bazar que acontecerá esta semana no saguão do auditório, onde ensaiamos domingo passado, foi-nos designado o local onde fica o órgão da Capela Nossa Senhora de Sion, no colégio de mesmo nome.


Subi para o lugar e, lembrando meus tempos de primário e ginásio nesta escola - anos 60 e 70, ao olhar a nave da capela lembrei-me de minha primeira comunhão, celebrada pelo Padre Humberto. Curiosa que sou, ia bater na porta da residência das freiras, quando a mesma se abre e sai uma enfermeira. Pensei que fosse uma residente do pensionato - se é que ainda existe - quando, ao falar com ela, descobri ser a enfermeira do... Padre Humberto. Levou-me até seu apartamento, no mesmo andar e lá estava ele, de costas, sentado em sua cadeira vendo TV. Foi um reencontro emocionante, mas esses detalhes são tão pessoais que não cabe aqui contar.


Contei-lhe do ensaio, do coral, da ópera, de Gamberini, da Fundação Anne Frank, e cantei-lhe um trechinho da Ave Maria de Arcadelt.


Sigo para o ensaio que contava com a presença do regente Martinho Lutero o qual, no final do mesmo, falou sobre a ópera. Gamberini era da resistência na II GM. No pós-guerra, compôs a ópera dedicada a Anne Frank com a colaboração de Otto Frank, pai de Anne. O diário ainda não havia sido publicado, portanto não era uma questão de modismo mas sim de solidariedade não verbal, solidariedade transmitida através da música.


Voltando para casa, fui ler mais sobre a ópera, e na internet encontro a notícia de seu falecimento.


Então, traduzi da Wikipedia italiana o texto a seu respeito.


Depois de ler a postagem, ficou-me a curiosidade se ele conhecia o trabalho de Miguel Nicolelis, se tinha tido a oportunidade de ouvir a tempestade cerebral que Nicolelis gravou em seu laboratório. Espero que sim.



Leopoldo Gamberini (Como, 12 de março – Genova, 22 abril) foi um compositor, maestro, regente de coral, pesquisador científico em biomusica e musicólogo.
Foi um dos pioneiros em musicoterapia, assunto trabalhado por ele desde o primeiro congresso internacional de música e terapia ocorrido em Bologna em 1974, com especial atenção às conexões entre música medicina e cibernética, e em relação especialmente à influência que as frequências sonoras têm sobre as células nervosas e seus tecidos orgânicos. 
Franco Abbiati, na sua História da Música (Garzanti, Milano, 1971) o indica como um dos maiores musicólogos do Novecentos.
Diretor musical do grupo vocal e instrumental Os Madrigalistas de Gênova, por ele fundado em 1958, Gamberini – que é laureado em Letras, Filosofia e Medicina – realizou seus estudos musicais no Conservatório de Gênova – sua cidade de adoção – e Torino, especializando-se – além das composições -  em pianoforte e violino.
Fez cursos de aperfeiçoamento com o maestro Liebermann e Markevich em Salisburgo (Áustria), e na Academia Chigiana de Siena. Junto a escola de Paleografia Musical em Cremona e no Conservatório Benedetto Marcelo de Veneza aprofundou os próprios estudos em musicologia.
Livre docente em História da Teoria Musical e titular da Cátedra de História da Música na faculdade de Letras – Universidade de Gênova, também ocupou cargos na Faculdade d Magistério na Universidade de Siena.
Gamberini foi fundador do Laboratório de Fonologia na Faculdade de Física da Universidade de Gênova e sócio fundador da Sociedade Italiana de Musicologia, além de membro honorário da Associação “Le Royaume de la Musique” de Paris.
Como compositor, é autor de numerosas músicas de cena para trabalhos teatrais clássicos e modernos, entre os quais um dedicado a Anne Frank, para solo, coro e orquestra e sons eletrônicos. Este trabalho foi apresentado pela primeira vez no Ópera de Estado de Berlim e retomado em 1988 no Auditorium da Radio Televisão de Minsk (Bielorrussia); novamente apresentado no Conservatório Giuseppe Verdi de Milão, aos 12 de março de 2000, quando completava 78 anos.
Sempre como autor, assinou oratórios, sinfonias, música coral e música de câmera. Digna de nota, em particular, a composição – de 1988 – de uma cantata cênica – representada anos depois no Teatro Carlo Felice (Gênova), sob o título: Cristóvão Colombo, 12 de outubro de 1492, escrita para barítono, coro e orquestra. A cantata – realizada com recursos eletrônicos do computador da faculdade de engenharia genovesa, foi retomada, como concerto, para a manifestação colombiana de 1992.
Além do complexo polifônico e instrumental do Madrigal de Gênova – com o qual obteve os mais altos reconhecimentos, entre eles as medalhas de ouro do governo belga -1970 -  e do governo francês em 1972 e 1974. Gamberini fundou e dirigiu a Orquestra Johann Christian Bach, com a qual tocou peças de Bach e de autores genoveses cujas partituras não tinham sido , praticamente, nunca publicadas.
Como pesquisador descobriu, estudou e executou músicas gregas antigas, medievais, do Renascimento, além da barroca que representavam o Angelicum e Ars Nova; também desenvolveu em numerosos estudos teóricos o interesse pela música grega, hebraica, gregoriana, até a música contemporânea.
Como o autor de textos didáticos Gamberini publicou designadamente:
um tratado sobre "a palavra e a música na antiguidade
o primeiro italiano tradução com comentário da obra de Plutarco 'music'
parte de "a vida musical em 1800 ".


CComo um testemunho da extrema maleabilidade e atenção que Gamberini dedica ao combinar a música em geral e em particular o antigo com as mais modernas ferramentas fornecidas pela eletrônica, vale a pena relatar sua declaração no Jornal de Música de Torino, em novembro de 1989:
"As gravações de som que podem ser obtidos com o CD são as melhores que um músico pode pedir; mas há nesta perfeição absoluta (o som, assim como o silêncio), algo desumano, melhor, transumano. A imperfeição é parte da nossa vida; por conseguinte, tem o direito à existência mesmo escutando a música".






http://it.wikipedia.org/wiki/Leopoldo_Gamberini

http://www.procembalo.org/composers/view/leopoldo-gamberini/4b785d9c-f7fc-4cca-9d7d-28433e958ca0

http://www.lutherking.art.br/lutherking/lutero.php

http://www.blitzquotidiano.it/musica-showblitz/leopoldo-gamberini-morto-genova-musicologo-1202681/


sábado, 21 de abril de 2012

Por que Julian Assange: primeiro preso internacional da consciência

A expressão do ‘preso da consciência’ foi, primeiro, cunhada por um advogado inglês, Peter Benenson , que, cansado da perseguição e submissão ao silencio - porque as suas crenças foram consideradas inaceitáveis por indivíduos e pelo governo, para refletir a situação na qual se encontrava. O primeiro passo do reconhecimento de algo deve ser dar-lhe um nome.


Em 1961, Benenson iniciou uma campanha mundial, “Apelo pela Anistia”, e para promover a sua ideia ele escreveu um artigo longo (“Os Presos Esquecidos”) que começa citando os artigos 18 e 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquele documento sobre liberdade de pensamento, de opinião e da expressão.


Esta declaração foi adotada em 1948 por 48 (fácil lembrar-se) membros da Assembleia Geral, inclusive, naturalmente, os Estados Unidos. Alguns membros abstiveram-se, como a URSS, o Bielorrússia SSR, e a Arábia Saudita.


O movimento de Benenson consequentemente deu à luz a ONG Anistia Internacional (AI), que aspira a prevenir abusos de direitos humanos e exigência de justiça para aqueles cujos direitos foram violados.


No seu artigo de fundação, Benenson define presos da consciência como:
“Qualquer pessoa que é fisicamente contida (pela detenção ou de outra maneira) de exprimir (em qualquer forma de palavras ou símbolos) qualquer opinião que ele honestamente mantém e que não defende ou perdoa a violência pessoal. Também excluímos aquela gente que conspirou com um governo estrangeiro derrubar o seu próprio.”


É bastante claro e conciso, e bastante geral para prevenir mal entendidos (loopholing). Há noção da restrição da expressão, por movimento limitado, meios de comunicação limitados, isolamento... etc.; aquele da opinião honesta, que pode referir-se a algo da opinião política à crença religiosa ou pessoal; e a noção (de não) violência, que pode ser tomada em todas as suas formas, como verbal ou físico. Mais a condição de 'nenhuma (tentativa de) conspiração'.


Agora vamos ver se Julian Assange, que está 'celebrando' hoje o seu 500o dia da detenção (uma detenção de casa virtual de fato, depois de dez dias do confinamento solitário), se ajusta ao perfil de um preso da consciência segundo Benenson, e se sim, deve ter algo muito particular sobre seu caso.


Na sua juventude, Assange foi a parte de do movimento de cypher-punk, que mantém como  filosofia a proteção da liberdade individual pela criptografia, que é a encriptação forte da comunicação entre indivíduos. Ele escreveu vários artigos sobre o tópico, que defendiam esta ideia. Daí envolveu-se com o Wikileaks, que é uma organização de publicação que fornece uma caixa postal eletrônica anônima (fazendo o uso da tecnologia de encriptação) para informantes de material com significação política, ética, ou histórica, e promete publicar o material com o impacto mais alto. É uma crença, de que ninguém pode duvidar ou negar.


No que diz respeito à não-violência , e vendo as acusações falsas que já o visaram, se Assange a tivesse demonstrado de alguma forma, não importa quão pequena, várias jurisdições teriam agarrado a ocasião e o teriam acusado de ofensa. Contudo neste dia ele não foi acusado de nada, em lugar nenhum. Assange esteve defendendo clara e constantemente as suas ideias e crenças com o uso exclusivo da não-violência.


Acrescente a isto o fato óbvio que Assange não conspirou com um governo estrangeiro para derrubar o seu (o australiano). Como o sua advogada Jennifer Robinson disse ‘ele foi acusado desde ser antissemita até ser um agente da Mossad. (vídeo: http://vimeo.com/39044731).


Portanto quatro condições de Benenson parecem ser satisfeitas. Assange É preso da consciência.


Então por que a Anistia Internacional não o elenca como um preso da consciência? Em 2009, quando Assange era menos evidenciado (em comparação com 2010), ele recebeu da Anistia o Prêmio de Meios de Comunicação Internacional (The Amnesty International Media Award). Mas nenhuma reação contundente da AI desde que Wikileaks publicou documentos muito embaraçosos relacionados aos EUA.


Se você olhar o nome de Assange no site da Anistia Internacional, encontrará uma primeira página que foi, ao que parece, postada no dia 9 de Dezembro de 2010 (dois dias depois que Assange voluntariamente rendeu-se à polícia britânica) que resume bastante bem os fatos e o que está em jogo, com algumas reticências compreensíveis de como as investigações foram encaminhadas. (https://www.amnesty.org/en/news-and-updates/wikileaks-and-freedom-expression-2010-12-09).


Outra página (mais provavelmente posto no correio em volta de meados de 2011) apresenta o Relatório Anual de 2011 da organização. O parágrafo mencionando Assange diz: (https://www.amnesty.org/en/annual-report/2011/introduction).


“Como vimos antes, o desejo de dar publicidade à informação, se não for equilibrado contra direitos individuais podem acarretar problemas a quem a divulga. Em Agosto, duas mulheres apresentaram denúncias criminais contra Julian Assange, fundador de Wikileaks, sob o ato de ofensas sexual sueco. Os hackers publicaram os nomes e a identidade das mulheres que tinham sido vilipendiadas nos meios de comunicação como títeres dos governos dos Estados Unidos e sueco. Isto demonstra que no novo universo virtual as mulheres continuam sendo tratados como joguetes – ou mesmo piores – como dano colateral aceitável. Para ser claro, as mulheres tem direito a terem suas queixas totalmente averiguadas e, em havendo provas suficientes verem o autor processado. A Julian Assange deve ser concedido a presunção da inocência, proteção e um processo justo.”


Pode-se ficar surpreso com o fato de que a maior parte do parágrafo é dedicada só às duas mulheres que fizeram as denúncias (embora só uma deva ser considerada, dado que a outra se recusou a assinar a sua declaração quando ela entendeu que incriminava com falsas provas pela polícia e pela justiça sueca) e cujos nomes foram expostos (observe que os seus nomes deveriam ter permanecido protegidos, contudo esta revelação permitiu o estabelecimento da sua associação com membros do poder judiciário e a classe política, que estão pesadamente implicados no caso de Assange, e têm a sua agenda pessoal). Nem uma palavra sobre a fuga de informação perigosa e falsa (como a alegação de estupro = http://justice4assange.com/Investigation.html ) durante o processo investigatório, providenciada pela polícia sueca, o que violou diretamente o direito de Assange à privacidade. Nem sobre as sugestões para eliminá-lo, dadas por experts americanos e canadenses, políticos, e os meios de comunicação: (http://www.swedenversusassange.com/Timing-EAW-INTERPOL-Red-Notice.html).


Parece que a Anistia Internacional está tentando evitar o sujeito, e menciona Assange somente para manter uma fachada. Isso sugere a infeliz evidência de que a missão da Anistia Internacional tenha um limite no final das contas.


Agora o que é específico sobre o caso 'do preso da consciência' Assange? Vai ver quanto os governos ou as entidades políticas tentaram e ainda estão tentando silenciá-lo, bem como o Wikileaks que ele representa:


•O governo de Estados Unidos: a um nível nacional, um Júri de Acusação secreto foi instituído 'para tratar’ do caso de Assange, e os últimos e-mails da Stratfor (https://www.democracynow.org/2012/2/29/leaked_stratfor_email_suggests_secret_us) revelam que uma acusação secreta foi emitida contra ele já no início de 2011. Esta acusação será, provavelmente, usada no momento da sua captura privando-o das suas liberdades fundamentais (para não mencionar a possibilidade de tortura, ou assassinato organizado ou suicídio). Em um nível internacional, o governo dos Estados Unidos parece ter ditado novas leis a outros Estados para ajudá-lo reter Assange em seus territórios: os procedimentos de extradição daqueles países. Esta influência extralegal realizou-se na Austrália (cf. a Emenda Wikileaks https://www.wsws.org/articles/2012/apr2012/assa-a12.shtml ), no Reino Unido, ao passo que na Suécia já há um tratado de extradição bilateral eficiente em prática,


•O governo sueco: as alegações fornecidas por radicais feministas como munição contra Assange foram uma possibilidade única e inesperada do governo sueco democraticamente eleito para agradar o seu mentor e único mestre: a administração dos Estados Unidos. A tal ponto que o próprio Primeiro Ministro Sueco, bem como o promotor geral lançaram ataques diretos contra Assange e Wikileaks. O governo sueco já planejou a portas fechadas prova contra Assange caso ele ponha os pés na Suécia. As suas condições de detenção implicariam no isolamento, incomunicável. Com o seu advogado amordaçado para falar com o público sobre evidências. Então poucas pessoas duvidam de que ele poderia ser extraditado aos EUA, onde o silenciariam durante um longo tempo. Sim soa mais como a Arábia Saudita, mas isto é a realidade da Suécia hoje,

http://www.youtube.com/watch?v=PaM6HOivbnA&feature=player_embedded


•O Reino Unido: depois da emissão do Aviso Vermelho da Interpol contra ele autorizando sua detenção (observem que contra Gaddafi - que acabava de bombardear a sua gente com jatos de guerra – foi emitida uma autorização de detenção de Aviso Cor de Laranja; Assange adquiriu o Aviso Vermelho mesmo acusado de nada), Assange apresentou-se voluntariamente sob custódia (no Reino Unido onde ele estava.


Ele foi imediatamente posto em confinamento solitário durante 10 dias em uma unidade de segurança máxima da prisão Wandsworth; foi tudo isso realmente necessário? Depois do seu relaxamento sob fiança, ele foi posto sob detenção – virtual - doméstica e, desde então, carrega uma tornozeleira eletrônica e deve comparecer diariamente à delegacia de polícia mais próxima. Isto soa exagerado, e pode sugerir uma intenção de aborrecê-lo. Agora mais em geral, um pedido de FOI; mostra que a extradição revê que o painel que foi designado pelo Ministro do Interior em 2011 não conseguiu publicar os resultados da consulta pública sobre a Autorização de Detenção Europeia; (EAW), o tratado de extradição britânico/DOS ESTADOS UNIDOS, e a ratificação do Fórum – isto é uma sugestão forte que essas objeções não foram consideradas - enquanto ao mesmo tempo uma equipe de funcionários do Ministério de Assuntos Exteriores vai aos EUA encontrar o Ministro da Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder. O objetivo desta viagem parece bastante claro: escrever a nova política de extradição britânica como ditado pelo governo dos Estados Unidos, que com muita probabilidade será feito sob medida para reter Assange em solo americano,


•Austrália (o seu país natal): por último, mas não menos importante o governo australiano também tomou parte na campanha de sujeira tóxica contra o seu próprio cidadão Assange, por exemplo, quando o Primeiro Ministro Julia Gillard injustamente, mas intencionalmente disse que ele violou a lei. Naturalmente nenhuma lei foi quebrada, nem na Austrália, nem em qualquer lugar. Quanto a restrições contra ele, o governo australiano introduziu um comitê de boas-vindas e depois aprovou a emenda constitucional da Extradição e Ajuda Mútua, em 28 de fevereiro de 2012. Regulação de lei no mínimo suspeita, aprovada só algumas semanas antes da decisão do Supremo Tribunal Britânico. A título de prevenção o tribunal governa no favor de Assange. O Estado australiano também bloqueou com sucesso acesso a dados (FOI) pedido na troca da informação entre o governo e a administração dos Estados Unidos quanto à extradição de Assange, e postergou o seu lançamento até o veredicto do Tribunal Supremo britânico (esperado nesta semana).


No ano passado, ele aprovou a chamada 'Emenda de Wikileaks' que facilita para ASIO (a agência de inteligência australiana) espionar alguém, não importa se a pessoa ou a organização representarem uma ameaça à segurança nacional ou não. Nunca se é suficientemente prudente com vozes dissidentes.


Há também o bloqueio bancário simultâneo por Paypal, Vista, e Mastercard, que pode ser interpretado como uma tentativa de silenciar pela inanição financeira. Mas não trataremos aqui de outras ações que não aquelas dos governos (embora seja possível que aquelas companhias atuassem depois que o governo dos Estados Unidos pressionou-os, é mais provável que eles atuaram sozinhos, em algum tipo de demonstração de 1%-solidariedade).


Quatro países, inclusive o seu próprio, quem querem silenciá-lo de um modo ou de outro (e alguns tiveram sucesso parcial restringindo seriamente a sua liberdade de movimento a sua margem de manobra). Observe que, à parte do governo dos Estados Unidos cujos sentimentos parecem ter sido profundamente abalados porque os documentos liberados revelaram verdades embaraçosas, os três outros foram oportunistas: a Suécia, porque Assange caiu em sua armadilha; o Reino Unido, porque resultou que ele estava em seu território quando a procuradora sueca Marianne Ny emitiu uma autorização de detenção internacional judicialmente traiçoeira para ele; Austrália porque resulta que Assange é um cidadão australiano, que deve ter constituído uma ação de alavanca positiva para ele, mas aconteceu o contrário.


Quando você está em uma situação difícil no exterior, o seu governo (que tem teoricamente a obrigação de vir ao seu resgate) tem praticamente o direito de vida e morte sobre você. Depois que as aflições sérias de Assange começaram, não só o governo australiano não veio em sua ajuda mas, melhor dizendo, uniu-se à um bando de colarinhos brancos assassinos de caráter, fazendo afirmações de que violou também as leis australianas (comprovadamente produto da fábrica de sujeira), ameaçando cancelar o seu passaporte.


Nos três casos, quando a oportunidade se apresentou, esses países decidiram simultaneamente compactuar com o Super Poder ignorando os direitos básicos e sagrados de cidadãos (Assange mais membros Wikileaks e sustentadores), inclusive o seu próprio. Isto deve criar naturalmente a seguinte pergunta: quantos outros países teriam tomado o mesmo caminho se eles tiveram "a possibilidade" a? (ou se tivessem se sentido na obrigação de?)


A resposta a esta pergunta não importa, o ponto aqui é que Assange é preso da consciência, e, além disso, um estrangeiro(o primeiro nesta condição), acossado por quatro jurisdições poderosas quem desejam silenciá-lo – o que acreditamos tenha sido feito.


Devemos esperar que a Anistia Internacional reconheça Assange como um preso da consciência, e a sua particular situação? Vendo os fatos citados antes sobre a sua autocensura evidente e o evitar tocar no tópico, não parece provável.


Nós, os sustentadores de Assange e Wikileaks, e pessoas que rejeitam todas as formas de injustiça e opressão (seja pró ou contra a filosofia de Wikileaks), realmente precisamos do reconhecimento, por parte da Anistia Internacional, para modificar as coisas e dar a Assange a sua liberdade de volta?


A Primavera Árabe ensinou-nos que o poder verdadeiro está dentro das pessoas se elas se unirem ao mesmo tempo com o mesmo objetivo. As ONG, as especialmente grandes, foram pegas de surpresa, como todo o mundo, pela onda democrática africana e do Meio Oriente do Norte.


O caso contra Assange e Wikileaks é uma grandeur nature um terreno de experimentação para os governos supracitados e outros de como o povo luta ferozmente para manter seus direitos fundamentais, e o de outros. É óbvio para muitos (embora não a todo o mundo) que o que acontecerá a Assange (de bom ou de mau) acontecerá a muitos, muitos outros.


O primeiro round desta luta romana de braço (ou batalha bastante feroz) entre sociedade civil e governos terminará com o veredicto do Tribunal Supremo britânico quanto a extradição de Assange. Se o tribunal permitir que a sua extradição proceda, então será o primeiro de muitos outros (dentro da União Europeia - UE) que não precisará de nada mais do que um oficial de polícia, um ministro de justiça, ou praticamente algum representante de governo da UE indicado como uma autoridade judicial, para extraditar qualquer cidadão. Uma violação clara de um princípio sagrado multi-centenário da justiça que é o papel de um juiz.


A tecnologia permite que nós hoje derramemos a luz na escuridão, nas esquinas ocultas dos assuntos nacionais e internacionais. O último, como no caso de Assange, provocará ataques estreitamente coordenados de vários governos que mobilizam muita mão de obra atrás deles. É sem precedente na história, ocorreu só durante as guerras, ou em casos de terrorismo internacionais. Outros rombos maciços como Cablegate acontecerão novamente. Mas o resultado de fim da luta da liberdade de Assange determinará com que frequência acontecerá, o que será o destino dos publicadoreseditores, e enfim qual peso determinará o equilíbrio da balança de poder entre direitos de indivíduos e a capacidade de abuso dos governos.


Peter Benenson
http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Benenson">http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Benenson
FOI
Freedom of Information Act
http://www.direct.gov.uk/en/governmentcitizensandrights/yourrightsandresponsibilities/dg_4003239
EAW
http://en.wikipedia.org/wiki/European_Arrest_Warrant
Extradição-tratado
http://www.bbc.co.uk/news/uk-politics-17553860
http://www.publications.parliament.uk/pa/jt201012/jtselect/jtrights/156/15608.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Extradition_Act_2003

Texto original publicado aos 20 de maio de 2012 - 500 dias de detenção domiciliar de Assange

domingo, 1 de abril de 2012

Ópera do Bom Burguês Cia. Estudo de Cena


http://soundcloud.com/cordaodamentira/pera-do-bom-burgu-s-cia-estudo

Ouçam a ópera do Bom Burguês que foi "encenada" diante do altar da têéfepê na Martim Francisco.

Durante o trajeto, até a Luz, lembrei-me das conversas na varanda da casa no Bonfiglioli.
Lembrei-me de Maurício Tragtenberg


Maurício Tragtenberg, ensinando a protestar por pgjr23


Cordão da Mentira Depois de torturadores, apoiadores da ditadura são alvos de protesto em São Paulo - Carta Maior





Boletim Carta Maior - 30 de Março de 2012 Ir para o site


ilustração: basicregisters



Depois dos assassinos e torturadores, agora é a vez dos apoiadores do golpe civil-militar de 1964 serem alvos de protestos. Passando por jornais, empresas e lugares simbólicos do apoio civil à ditadura, o Cordão da Mentira irá desfilar pelo centro da cidade de São Paulo para apontar quais foram os atores civis que se uniram aos militares durante os anos de chumbo. (link para Carta Maior no final)

CORDÃO DA MENTIRA
Quando: Domingo, 1º de abril de 2012, a partir das 11h30
Onde: concentração no Cemitério da Consolação


TRAJETO
R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia
Av. Higienópolis – sede da TFP
R. Martim Francisco
R. Jaguaribe
R. Fortunato
R. Frederico Abranches
Parada no Largo da Santa Cecília
R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva
R. Barão de Campinas
R. Glete
R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo
R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz
R. Mauá
Dispersão: R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19888


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Observações ao longo dos meses: acompanhando o movimento occupy - pela internet - em várias partes do planeta, não pude deixar de compará-los aos movimentos daqui.

Falta solidariedade? ( o que quer que isso signifique nesses tempos...). Explico: quando o movimento contra a tarifa do ônibus saiu às ruas, era evidente a presença de jovens. Participantes de meia idade, grisalhos, apareciam, nas reportagens, como curiosos. Desculpem-me se não observei direito; caso alguém da minha faixa etária (mais que balzaquiana) tenha ido, pardon.

No movimento No Berlusconi Day assisti - pela RAI news - uma senhorinha de 90 anos no palanque da praça,dizendo pelo microfone que não morreria sob o governo de Berlusconi. Na praça, cidadãos de todas as idades.

http://basicregisters.blogspot.com.br/2011/06/ser-e-ter-dignidade-na-terceira-idade.html

A mesma cena solidária na Espanha - onde empregados estão organizando uma cooperativa para apoiar os desempregados - na Grécia onde até um cão se solidariza.



O vídeo, homenagem a Loukanikos, comenta que ele tinha mais noção de liberdade e consciencia do que muitos humanos.

http://basicregisters.blogspot.com.br/2011/07/loukanikos-rioting-dog-of-athens.html

Pasma fiquei ao conhecer profissionais e professores de Direito - Penal, Constitucional - que não tinham conhecimento do "não caso" de Assange. Isso não afetou a qualidade das aulas as quais assisti. A qualidade das aulas, veja bem; afetou sim a avaliação da capacidade dos mesmos em "tocar uma causa". Seja ela tributária, civel, penal, constitucional, a matéria prima é o ser humano que existe no gerúndio, cada vez mais gerúndio com o acesso à web. Não tinham conhecimento. Fiquei de enviar o link do julgamento de Assange com o vídeo - ao vivo - transmitido pela Suprema Corte Britânica mas dei-me o direito ( e a maldade) de não enviá-lo por e-mail.

http://liberte-info.net/interviews/christine_assange_pt.html

Nessa terra onde o diploma superior é cada vez mais valorizado, esse desconhecimento é inadmissível. Mas seja de que lado for todos olhamos para nossos próprios umbigos, para nossa propria tchurma, somos corporativistas até na rebeldia. Até na liberdade de pensamento. Enviei um texto para um revisor que alterou uma parte do conteúdo por achá-lo inadequado. Foi aterrorizante! Veja a que ponto chegamos!!!Que diferença tem - conceitual e eticamente falando - entre essa liberdade fascista (advinda não da competência mas de uma falta total de ética)e a prisão um sujeito às escondidas? Absolutamente nenhuma.

E assim caminhamos, cumprindo o papel de pequena autoridade com muito orgulho, sem constrangimento algum. Loukanikos morreu. Nossos cães merecem um programa de rádio em frequência modulada. A senhorinha da praça talvez tenha morrido aliviada do resultado da campanha anti berlusca. Noss@s velhinh@os se endividam com empréstimo na folha de pagamento da pensão para terem uma vida um pouco melhor (?)


O Cordão da mentira, daqui algumas horas, passará sob a janela, na rua onde moro.