Primo Levi
“Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem” B.Brecht
"Politicians should read science fiction, not westerns and detective stories." - Arthur C. Clarke
Time is so old and love so brief
Love is pure gold and time a thief (Billie Holiday)
Ai que preguica! (Macunaima)
No creo en la eternidad de las peleas
Y en las recetas de la felicidad (John Drexler, Mercedes Sosa)
Na aula de hoje: Todo vice é um Kinder Ovo; vem com uma surpresa dentro.
domingo, 10 de outubro de 2010
NEUTRALIDADE TEM LADO DATAFOLHA: DILMA 54% X SERRA 46%
(Carta Maior; 10-10)
Deus Vult! (*)

colagem de basicregisters sobre obra de Hieronymus Bosch
(*):Deus Vult era o mote que a multidão insana proclamava por toda Europa depois do Concílio de Placência de 1095. Na sua ignorãncia achavam que qualquer cidade de maior porte era Jerusalém e matavam e saqueavam todo mundo. In nomine Dei tibi ignosco
O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo (Carta Maior)
É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir. Ciro Gomes disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. O Brasil precisa que se faça esse debate.Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país. Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida. O artigo é de Rodrigo Vianna.
Rodrigo Vianna - O Escrevinhador
Texto publicado originalmente no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna
Com a generosa ajuda da velha mídia brasileira, e uma mãozinha da candidatura de Marina Silva, Serra conseguiu pautar a reta final do primeiro turno e o inicio do segundo turno com uma temática religiosa.
É um atraso gigantesco para o Brasil.
Parte dos apoiadores de Dilma acha que a campanha do PT deve fugir desse debate, recolher apoios de evangélicos e católicos, e rapidamente mudar de assunto.
Penso um pouco diferente.
É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir.
Por que ninguém do PT é capaz de dar uma resposta a Serra, deixando a Ciro Gomes a tarefa de pendurar o guiso no gato? Ciro disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. Vejam:
(Ciro Gomes) “Por que o PSDB, que nasceu para ajudar a modernidade do País, resolveu agora advogar o Estado teocrático? O Serra tem de dizer que, na República que ele advoga, primeiro falam os aiatolás, e aí os políticos resolvem o que os aiatolás querem que seja feito.”
O Brasil, agora digo eu, precisa que se faça esse debate.
O Brasil precisa, também, comparar os resultados econômicos e sociais de FHC e Lula. Mas precisa de politização, precisa que se enfrente o pensamento conservador.
Essa é uma hora boa para desmascarar a intolerância religiosa.
Aliás, é preciso tomar cuidado ao associar “evangélicos”, apenas, a esse discurso intolerante. Não. Os ataques mais coordenados e mais perigosos partem da Igreja Católica.
É preciso – com muito cuidado e respeito pelos milhares de católicos e evangélicos que praticam a religião apenas para confortar suas almas, e para difundir o amor ao próximo – lembrar que já houve um tempo em que a religião mandava na política.
No Brasil Colonial, tivemos a Inquisição católica a prender, torturar e executar. A intolerância religiosa já matou muito – no mundo inteiro. Aprendemos isso na escola, ou deveríamos aprender (quem não se lembra da “Noite de São Bartolomeu” ,na França, pode ler algo aqui).
Já que Serra quer travar esse debate, devemos pendurar o guiso no gato, e perguntar se o que ele quer é um Estado teocrático. É isso?
Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país.
Na Espanha, esse debate é travado nas eleições. O PP (partido conservador) tem uma parceria muito próxima com a Opus Dei e com o catolicismo mais reacionário. O PSOE (social-democrata) não tem medo de assumir a defesa de um Estado laico – respeitando as práticas religiosas.
O PSOE ganhou eleição prometendo união civil de homossexuais. A direita católica do PP realizou marchas com quase um milhão de pessoas, contra essa plataforma. Levou bispos e padres (de batina e tudo) para as ruas. O PP tentou intimidar o PSOE. O que fez a centro-esquerda? Travou o debate, resistiu, deu uma banana para o terrorismo religioso. E ganhou.
É preciso ter coragem.
O círculo da direita se fecha: ela tem as igrejas (algumas), ela tem a velha mídia, ela tem a prática da intolerância.
“A ideologia da direita é o medo”, já nos ensinava Simone de Beauvoir.
A intolerância e o medo é que levaram o “Estadão” (que, diga-se, abre espaços para a Opus Dei) a demitir Maria Rita Kehl por ter escrito um artigo que contraria a linha oficial de “somos Serra até a morte”.
Nas redações, não há espaço para dissenso. Quem levanta a cabeça tem a cabeça cortada.
“Folha” (que censura blogs), “Estadão” (que demite colunista), “Veja” (com seu esgoto jornalístico a céu aberto) e “Globo” (sob comando de Ali “não somos racistas” Kamel) são a armada a serviço desse contra-ataque conservador. Isso já está claro há muito tempo. Mas Lula parece ter minimizado essa articulação, e acreditado que enfrentaria tudo no gogó – sem politizar o debate. Não deu certo. É preciso enfrentamento, politização.
Esse é um combate que merecer ser travado. Para ganhar ou perder. E acho que temos toda chance de ganhar.
Até porque, se Serra ganhar com esse discurso de ódio, e com esses apoios (panfletos da TFP, reuniões no Clube Militar, pregação e intolerância religiosas), o país (empresários, trabalhadores, classe média) precisa saber que teremos uma nação conflagrada durante 4 anos.
Não dá pra fazer de conta que isso não está acontecendo.
Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil? Claro. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida, como fazem os espanhóis e como fez o Ciro Gomes.
Com coragem.
sábado, 9 de outubro de 2010
Mario Quintana
Ai, aquele tom de rosa das paredes, o sol iluminando em diagonal dois andares com varandas de passagem.
Pedindoajuda a oswald de Andrade:
Não permita Deus que eu morra
Sem que passe por lá
cop10

O Ministério do Meio Ambiente levará propostas para o debate sobre o Plano Estratégico da Convenção sobre Diversidade Biológica – CBD, com resultados projetados para 2020. As propostas foram discutidas em plenária nacional ocorrida nos dias 16 e 17 de setembro, e reuniu 67 representantes de movimentos e organizações sociais.
A COP-10 terá como um dos principais itens da agenda a aprovação do regime internacional de acesso a recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais a eles associados, bem como a repartição de benefícios oriundos da exploração comercial destes ativos. A MOP-5 dará destaque ao tema dos organismos geneticamente modificados (manuseio, transporte, embalagem e identificação), além da aprovação do adendo ao Protocolo de Cartagena sobre responsabilidade e compensação.
Apesar das metas estabelecidas pelas partes não terem sido atingidas, relatório das Nações Unidas destaca a liderança do Brasil na criação de áreas protegidas, considerada um dos principais instrumentos na conservação da biodiversidade. Segundo o relatório, cerca de 75% dos 700 mil km2 de unidades de conservação criados em todo o planeta desde 2003 estão no Brasil.
O estudo também reconhece o recente avanço no combate ao desmatamento na Amazônia brasileira, que em 2009 atingiu o nível mais baixo dos últimos 20 anos. Em 2009, as imagens de satélite analisadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) verificaram o desmatamento de uma área de cerca de 7 mil km2 na região, uma redução de 74% em relação aos níveis registrados em 2004. O avanço é resultado de uma série de políticas integradas que combinam monitoramento por satélite, ações de fiscalização, criação de unidades de conservação, estímulo a atividades sustentáveis e engajamento do setor privado e sociedade civil. Para 2010, a expectativa é que a redução do desmatamento seja ainda maior.
Site oficial COP10 MOP5 (pode ser feita inscrição para acompanhar debates pela rede)
http://www.cbd.int/cop10/
Salmos desafinados

Ho fatto scalo a grado
la domenica di Pasqua
gente per le strade
correva andando a messa.
L'aria carica d'incenso
alle pareti le stazioni del calvario
gente fintamente assorta
che aspettava la redenzione dei peccati.
Agnus dei qui tollis peccata
mundi miserere
dona eis requiem.
Il mio stile è vecchio
come la casa di Tiziano a Pieve di Cadore
nel mio sangue non c'è acqua
ma fiele che ti potrà guarire.
Ci si illumina d'immenso
mostrando un poco la lingua
al prete che dà l'ostia
ci si sente in paradiso cantando dei salmi un poco stonati.
Agnus dei qui tollis peccata
mundi miserere
dona eis requiem.
Fiz uma escala em Grado
No domingo de Páscoa
Gente pela estrada
Corria andando à missa
O ar carregado de incenso
Nas paredes as Estações do Calvário
Pessoas fingidamente absortas
Que esperavam, a redenção dos pecados
Agnus dei qui tollis peccata
mundi miserere
dona eis requiem.
O meu estilo é velho
Como a casa de Tiziano em Pieve di Cadore
No meu sangue não tem água
Mas acredite que poderá te curar
Nos iluminamos do imenso
Mostrando um pouco a língua
Ao padre que dá a hóstia
Nos sentimos no paraíso cantando salmos desafinados
Agnus dei qui tollis peccata
mundi miserere
dona eis requiem.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Faltou o Nhac...
Na propaganda a menina NHAC nas informações. E olha que é dos anos 80, sem twitter, sem youtube, veiculada só na TV. Foi um sucesso.
Não teria sido o sucesso que foi se a menininha tivesse ficado sentada na cadeirinha de diretor, apenas.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Rio Marcal (como era) Hungria

BUDAPESTE (AFP) - Todo o ecossistema do rio húngaro Marcal, diretamente afetado pelo vazamento de lama vermelha tóxica após um acidente industrial, foi devastado pela contaminação, anunciou o diretor regional da unidade de desastres, Tibor Dobson.
"Todo o ecossistema do rio Marcal foi destruído, porque o nível de alcalinidade muito elevado matou tudo", declarou Dobson à agência de notícias MTI.
"Todos os peixes morreram e a vegetação também não pode ser salva", completou.
O vazamento de lama tóxica provocado por um acidente industrial na Hungria atingiu nesta quinta-feira o Danúbio, ameaçando o ecossistema do rio, com uma taxa alcalina levemente superior à normal.
A análise da água na confluência do rio Raab com o Danúbio mostra uma taxa alcalina superior à normal, entre 8,96% e 9,07%, quando a normal é de 8%, segundo uma fonte dos Serviços Hídricos da Hungria.
O vazamento tóxico de lama vermelha, na segunda-feira, procedente de uma fábrica de alumínio de Ajka (160 km ao oeste de Budapeste) passou do Raab ao Danúbio pouco depois das 6H30 GMT (3H30 de Brasília), em Györ.
yahoo noticias
CORPO-IMAGEM DOS TERREIROS
Um diálogo entre pesquisadores de diversas áreas, representantes das comunidades religiosas, curadores e fotógrafos, o debate Corpo-imagem dos terreiros apresenta a fotografia no contexto dos rituais religiosos de matriz africana. Discute um repertório crítico e visual para pensar a formação dos terreiros, a experiência ritual e a produção de imagens.
Projeto contemplado pela seleção pública de debates presenciais do Programa Cultura e Pensamento 2009/2010. O objetivo é discutir a produção de imagens fotográficas, no contexto dos rituais religiosos de matriz africana e gerar um repertório capaz de pensar, criticamente, essa manifestação cultural brasileira. Tem curadoria da fotógrafa Denise Camargo com assistência de curadoria do fotógrafo Paulo Rossi. A produção-executiva é da Empresa Livre.
E é um dos desdobramentos do debate on-line Representações imagéticas das africanidades no Brasil, contemplado com o Programa Cultura e Pensamento 2007, disponível em www.studium.iar.unicamp.br/africanidades.
Informações, inscrições, depoimentos, entrevistas e transmissão ao vivo pela internet, no site: www.oju.net.br/corpoimagem.
PROGRAMAÇÃO
14/10 das 14h30 às 16h30 – Brasília (UnB Campus Universitário Darcy Ribeiro – ICC Norte, prédio Minhocão – auditório da Faculdade de Comunicação – sala 610/9 bloco A subsolo)
· Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, professor da UnB (O terreiro e o território)
· Depoimento de Roberval Falojutogun Marinho, do llê Axé Opô Afonjá, professor da Universidade Católica de Brasília (Entender o cotidiano ritual é entender a vida).
· Duda Bentes, fotógrafo e professor da UnB (Documentação visual de terreiros do Distrito Federal)
· André Vilaron, fotógrafo (Axé e imagem: um olhar complexo)
· Paulo Rossi, fotógrafo (Corpos e flores para Iemanjá)
28/10 das 15h às 17h – São Paulo (Ação Educativa – Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque)
· Reginaldo Prandi, professor da USP (O terreiro e as imagens contraditórias)
· Rina Nemenz, mãe-de-santo da Tenda de Umbanda do Caboclo Imaraji (Representação, subjetividade e experiência ritual)
· Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado (Um obi para a cabeça do mundo: arte e religiosidade na Pinacoteca do Estado do São Paulo)
· Jorge Pupo, fotógrafo (Vodu-Santería: relações entre corpo e espiritualidade)
· Denise Camargo, fotógrafa (Um díptico no espaço ritual)
· Fernando Fogliano, artista do SCIArts e professor do Bacharelado em Fotografia Senac (Linguagem e experiência: da concretude à abstração)
11/11 das 14h30 às 16h30 – Rio de Janeiro (UFRJ – auditório Anexo do CFCH 3º andar– Av. Pasteur, 250 fundos – Praia Vermelha)
· Mohammed ElHajji, professor da UFRJ (Corpo e imagem da diáspora)
· Projeção de fotografias do fotógrafo Márcio Vasconcelos (Zeladores de voduns e outras entidades, do Benin ao Maranhão)
· Vantoen Pereira Júnior, fotógrafo (“Nego véio”, o resgate do Brasil negro)
· Mirian Fichtner, fotógrafa (Cavalo do santo: religiões afro-gaúchas)
18/11 das 18h30 às 20h30 – Salvador (UFBA/CEAO – Auditório Milton Santos, do Centro de Estudos Afro-Orientais – Praça Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho)
· Marco Aurélio Luz, Ilê Asipá e professor da UFBA (A dinâmica da civilização afro-brasileira)
· Adenor Gondim, fotógrafo (Eu fui escolhido: imagem, crença, sincretismo)
· Aristides Alves, fotógrafo (No terreiro de Mutá Lambô we Kaiango: uma experiência de fotografia e edição)
· Bauer Sá, fotógrafo (Retratos: identidade, corpo e presença)
· Marcelo Bernardo da Cunha, coordenador do Museu Afro, professor do CEAO/UFBA (Iconografias e identidades afro-brasileiras)
Evento gratuito.
Todos os debates serão transmitidos ao vivo no site www.oju.net.br/corpoimagem.
SOBRE O CULTURA E PENSAMENTO
Cultura e Pensamento é um programa nacional de estímulo à reflexão e à crítica cultural, que seleciona e apóia projetos de debates presenciais e publicações.
Coordenado pela Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, seu objetivo é dar suporte a iniciativas que proponham questões e alternativas para as dinâmicas culturais do país. Os editais Cultura e Pensamento têm patrocínio da Petrobras, com realização da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão – FAPEX e da Associação dos Amigos da Casa de Rui Barbosa.
'Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente'
DEPOIS DO ABORTO, A CAÇA ÀS 'BRUXAS'
ESTADÃO DEMITE MARIA RITA KHEL
"Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um "delito" de opinião (...) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém porque a opinião da pessoa é diferente da sua?"[entrevista ao portal Terra]
Artigo que motivou a demissão criticava a desqualificação dos votos dos pobres pelos ricos
Trechos do artigo de Maria Rita Khel, 'Dois Pesos"
'Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente'
"O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola".
Carta Maior
Trechos de artigo da psicanalista Maria Rita Kehl: Terra
Comissão de Justiça e Paz condena grupos que, em nome da fé cristã e da CNBB, induzem fiéis contra Dilma
07/10/2010
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou ontem uma nota pública em que condena o uso da fé cristã no processo eleitoral. A publicação do documento sucede a ampla divulgação de acusações contra a candidata Dilma Rousseff (PT).
“Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente”, afirma a nota em que é criticada também uma manifestação da Regional Sul 1 da CNBB, que não recomendou o voto em Dilma. O comando nacional da CNBB condenou o texto da regional e ressaltou que ele não representa o pensamento da entidade.
“Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência da Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias”, denuncia a Comissão Brasileira de Justiça e Paz.
É o seguinte, na íntegra, o pronunciamento da CBJP:
Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz
O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO
“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão” (Salmo 85
“A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.
Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.
Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.
Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.
Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.
Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.
Brasília, 06 de Outubro de 2010.
Comissão Brasileira Justiça e Paz,
Organismo da CNBB”

