O evento de estímulo à leitura acontecerá no Parque da Ruínas em Santa Tereza. O homenageado será Fereira Gullar. Neste sábado Maria Bethânia declamará poesia. Veja a programação a partir de Brasília Confidencial
O Parque das Ruínas se torna um belíssimo mirante que deixa o Rio de Janeiro aos seus pés. De lá, tem-se uma visão extraordinária do centro da cidade e de toda a orla do Rio – desde o Aeroporto Santos Dumont até a Urca. Logo abaixo estão os Arcos da Lapa. Aberto ao público, o Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca durante muitos anos, até a morte da anfitriã, em 1946. A Prefeitura fez renascer das ruínas a cultura que ali existiu. O parque abriga uma sala de exposições, auditório e cafeteria, garantindo conforto a shows musicais, happy hours e leitura de textos literários. Nas áreas ao ar livre se destacam concorridos shows e uma programação especial para as crianças nos finais de semana. Com três andares, a casa chama atenção também por sua arquitetura e estilo - tijolos aparentes combinados harmoniosamente com estruturas metálicas e de vidro. fonte:http://siteoficial.com.br/index2.asp?S=Parque-das-Ruinas-&R=48&C=1&L=3800
Para saber mais sobre Laurinda Santos Lobo, Hilda Machado lançou em 2002, pela editora Casa da Palavra, um livro a seu respeito:
Sempre gostei dele, aí foi o mássimo quando , no curso de bateria em 79, aprendi a ler 5/4. É TUDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O II Festival Parque Sucupira de Música Popular Brasileira é promovido pela Associação de Difusão Comunitária Utopia (Utopia 98,1 FM), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB-FUP/FAC) e Escolas Públicas de Planaltina.
Quando acessei o blog estava tocando Pedro Guará, ouve só!
Num lamento chegou o minuano Anunciando o último inverno O orvalho chorou nas campinas E o céu enlutou as estrelas
Pedro Guará sentia mais forte Cheiro da terra o vento do sul Entrava no rancho o calor do braseiro Mateava na espera do tempo chegar
Pedro Guará viveu aragano Camperiando manhãs distantes E passando plantava alegria O riso ficava quando partia
Pedro Guará partiu sem rastro Fruto maduro na volta pra terra Rasgando um riso seu último gesto Sumiu da serra não vai mais cantar
Abertura de Sergio Fajardo Valderrama, ex prefeito de Medellín, que falará sobre as bibliotecas como núcleo de retomada do espaço público pela comunidade.
O valor do salário mínimo em 2011 será decidido em negociação com as centrais sindicais, anunciou ontem a presidente eleita, Dilma Rousseff.. A fórmula em vigor há quatro anos, por acordo entre o Governo Lula e as centrais, prevê reposição da inflação acumulada nos 12 meses anteriores mais o índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Aplicada essa fórmula, no próximo janeiro o salário mínimo subiria dos atuais R$ 510,00 para R$ 538,00.
“Como o PIB do ano passado foi zero, a inflação seria o único aumento. Estamos discutindo com as centrais um aumento maior do que esse”, afirmou Dilma durante entrevistas à Rede Bandeirantes e ao SBT.
As centrais sindicais entregam hoje ao relator do Orçamento da União para o ano que vem, senador Gim Argello (PTB-DF), uma pauta unificada em que reivindicam reajuste de 12,9%, o que incluiria aumento real de 7% e elevaria para R$ 575,00 o valor do salário mínimo a partir de 1º de janeiro. O índice soma o crescimento do PIB neste ano, estimado pelo Departamento Intersindical de Estudos Sócio Econômicos em 8%, com a taxa de 5,5% prevista para a inflação.
Lí no jornal La Información, que Merkel recebeu um pacote perigoso enviado por prováveis ativistas gregos. O comentário da polícia é que: como são enviados de dentro da comunidade, seguem livremente. pois é, quiseram tanto culpar os extra-comunitários sobre toda a desgraceira do continente, fecharam tudo, discriminam, expulsam e deu nisso: o ôvo da serpente.
Mi secretaria: gordita, 21 años, habla inglés llena de blancura dental y es rubia. Se engalana cada día con pañoletas sedosas multicolores y argollas y pulseras con ruiditos de gatos con cascabeles y esas pinturas rojas, verdosa y grises tan amasadas en ojos y zonas adyacentes menos en las orejas... ¡Es un sueño de payaso!
Todas las noches eran iguales para María. Y aunque cada día se preguntaba lo mismo y tomaba decisiones para ejecución inmediata, todas las noches eran iguales, exactamente iguales a la anterior. María desvelada, Juan que no llegaba, María que pensaba decir y hablar y maldecir y revisar la vida que llevaban y las cosas de Juan y el niño que iba a nacer y el futuro y el trabajo y todas las noches el silencio de sus brazos amorosos suspiraba a la llegada del hombre.
Recebo email do PNLL - Plano Nacional do Livro e Leitura e voilá! Entre os favoritos
Aldous Huxley (1894-1963)
Na verdade, a menos que prefiramos a descentralização e o emprego da ciência aplicada, não como o fim a que os seres humanos deverão servir de meios, mas como o meio de produzir uma raça de indivíduos livres, teremos apenas duas alternativas: ou diversos totalitarismos nacionais militarizados, tendo como raiz o terror da bomba atômica e como consequência a destruição da civilização (ou, no caso de guerras limitadas, a perpetuação do militarismo); ou então um totalitarismo supranacional suscitado pelo caos social resultante do progresso tecnológico, e em particular da energia atômica, totalitarismo esse que se transformará, ante a necessidade de eficiência e estabilidade, na tirania assistencial da Utopia. É escolher. Dei um copy/paste no texto (acima) do e-mail mas entra lá. Tem links para o wikipedia, youtube, projeto gutenberg.org e um link para download (em PDF) de Os Demônios de Loudun.
Estamos chegando perto do Natal. O casal Dillingham prepara, dentro de suas possibilidades, a surpresa que farão, um ao outro, nesta noite...feliz?
Outros autores no site:
Alejo Carpentier, Antonio Benítez Rojo, César Vallejo, Ernesto Cardenal, Jorge Luis Borges, Juan Rulfo, Mario Benedetti e otros mas. http://www.literatura.us/
Autores traduzidos para o espanhol: Kafka, Rilke, Mann, Maupassant, Poe, Hemingway, O.Henry, Moravia, Calvino, Tchekov ...
Parcela minoritária e barulhenta de derrotados nas urnas reagiu ao resultado da disputa pela Presidência da República como se fosse passível de desmerecimento, contestação e enfrentamento a decisão majoritária de tornar Dilma Rousseff a sucessora do presidente Lula. Essa parcela reagiu, enfim, como quem inaugura ou pretende inaugurar uma espécie de terceiro turno imprevisto pela legislação, indesejado pela população, insultuoso ao eleitorado e improdutivo para o país.
A ideia de iniciar um terceiro turno se evidencia na edição de ontem dos principais diários impressos do país. Começa na informação de que, antes mesmo de começar, o Governo Dilma já vive sua primeira crise causada pela presença explícita ou pela sombra ameaçadora de Lula, que seria candidato à Presidência em 2014. O terceiro turno se insinua também entre o receio de que Lula interfira no governo, tutelando Dilma, e o medo de que não faça isso e deixe o caminho livre para a hegemonia da esquerda do PT. É deflagrado também, o terceiro turno, no pavor provocado pela maioria de praticamente três quintos no Congresso, que poderia dar a Dilma força suficiente para legislar conforme bem quisesse.
O segmento da mídia que orienta os partidos de oposição participa da tentativa de inaugurar o terceiro turno com o mesmo método jornalístico adotado desde o primeiro semestre do ano passado: textos, comentários, notas e artigos que depreciam Dilma tentando reduzí-la a uma figura influenciável e manipulável. Desmereceram a candidata, agora desmerecem a presidente eleita e, desde já, seu futuro governo.
A motivação da imprensa aliada aos partidos de oposição antecede a ideia de golpe. Os jornais acreditam representar o pedaço do Brasil que rejeitou Dilma.
Dilma foi eleita pelo Brasil setentrional. A oposição é o Brasil meridional. É verdade que Dilma fez muito mais votos na parte Sul do que Serra obteve na parte Norte. Mas ela perdeu entre os ‘sulistas ou ‘confederados’, que formam o Brasil da mídia. O Brasil de Dilma é o Brasil sem mídia. E o terceiro turno é, a par de um desejo de facções partidárias oposicionistas, uma tentativa da imprensa mais poderosa do Brasil meridional de expulsar para o Brasil setentrional a candidata e futura presidente dos pobres, dos excluídos, dos desvalidos, dos discriminados, dos trabalhadores, da classe operária.
Até aqui, Dilma mostrou que é muito maior do que se dizia dela no início da campanha. Mostrou que é capaz de traduzir perfeitamente a ideia da eficiência e da continuidade de um projeto bem sucedido e aprovado. Venceu a campanha eleitoral mais sórdida, repugnante e infame da história republicana. Venceu uma oposição torpe e uma imprensa indecente. E, no primeiro discurso de presidente eleita, estendeu a mão aos adversários propondo trabalho e união pelo país.
A deflagração do terceiro turno para o período 2011/2014 equivale ao anúncio de, no mínimo, mais de 1.400 dias de campanha e de confronto. Com certeza, não é o que quer e muito menos é de que precisa o povo do Brasil.
Pela primeira vez na história do Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2011 a Presidência da República será exercida por uma mulher. Dilma Vana Rousseff Linhares, mãe e avó com 62 anos de idade, natural de Belo Horizonte (MG); guerrilheira presa, torturada e mantida na cadeia durante três anos pela ditadura militar; economista; secretária municipal em Porto Alegre; secretária estadual no Rio Grande do Sul; ministra de Minas e Energia e da Casa Civil da Presidência; candidata indicada ao PT pelo presidente Lula e estreante em disputas eleitorais, foi eleita ontem por mais de 55,7 milhões de brasileiros e brasileiras para suceder o presidente Lula. Dilma venceu José Serra (PSDB), candidato das oposições ao atual governo, por diferença superior a 12 milhões de votos.
A vitória da candidata do PT e de mais nove partidos, obtida contra um oponente que acumula experiências de prefeito, deputado, ministro, secretário estadual, senador, governador e, duas vezes, candidato derrotado à Presidência, foi anunciada oficialmente pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, às 20h04min, quando a vantagem de Dilma já era superior ao número de votos que faltava apurar. Fechadas as contas ao fim da segunda hora de hoje, o resultado da eleição presidencial ficou assim:
Dilma Rousseff 55.751.918 (56.05%)
José Serra 43.710.381 (43.95%)
Brancos 2.452.588 (2,3%)
Nulos 4.689.293 (4,4%)
Ausentes 29.191.309 (21,5%)
Dilma venceu a eleição no Distrito Federal e em 15 estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Tocantins, Maranhão, Pará e Amapá. Seu adversário foi o candidato mais votado em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima.
Ainda antes de votar, em Porto Alegre, a candidata do PT anunciou que vai governar para todos com a coligação que apoiou sua candidatura.
“A minha coligação, que me trouxe até aqui, é a coligação com a qual vou governar. Vou governar para todos, conversarei com todos os brasileiros”.
À noite, confirmada sua vitória, sua primeira declaração incluiu um agradecimento e uma promessa aos eleitores:
“Prometo honrar a confiança que depositaram em mim”.
Trabalhava na época, (91), numa revista latino-americana, sobre cultura. Tinha saído da sala da redação e quando volto, vejo um senhor sentado em minha mesa. Me aproximo e ele me pergunta: Ô minha filha, empresta seu dedo para fazer o nó neste barbante.
Era um embrulho em papel pardo e pus o dedo sobre o barbante. Enquanto ele dava o nó e o laço, fui subindo o meu olhar e descobrindo quem era o sujeito. O "próprio": Carybé. Ele agradece , se levanta e sai vestido de calça de linho branco e nos pés, uma sandália de couro.
Aqueles presentinhos do universo, inesperados.
Carybé: Lanús, 7 de fevereiro de 1911 — Salvador, 2 de outubro de 1997
É complicado. Dependendo do meu estado de espírito me sinto uma ilustração de Carybé.
Dependendo vou procurar pêlo em ôvo.
Mas quando peguei "aftosa" de um leite muito "bão" tomado numa caneca de alumínio, sentada no muro do curral logo de manhãzinha, há tanto tempo atrás, o que me ajudou a sarar foram as risadas que dei lendo Monteiro Lobato, Dom Quixote.
Dispensando formalidades desnecessárias vou direto ao ponto. A Folha de São Paulo publicou em 28/10 uma matéria onde o CNE – Conselho Nacional de Educação – encaminha um parecer para depois de analisado ser homologado ou não, de sua parte. Tal parecer sugere a retirada do livro “Caçadas de Pedrinho” de autoria de Monteiro Lobato da lista de distribuição de livros em escolas públicas para o ano letivo de 2011, justificando ser a obra racista.
Pois bem. Cumpre agora adentrar no cerne da questão em primeiro momento sob a ótica literária e histórica e em segundo momento sob o aspecto jurídico do ato futuro a ser encetado. Certamente este parecer realizado pela Senhora Nilma Lino Gomes, professora da UFMG carece de conteúdo capaz de fundamentar quaisquer atos alheios futuros, serve apenas para induzir em erro pessoas de boa crença e intenção, haja vista o total desconhecimento sobre a grandiosidade da obra de Monteiro Lobato.
Lobato produziu durante toda sua carreira literária 26 títulos destinados ao público infantil, seara a qual se destaca contemporaneamente em liberdade criativa e imaginativa.
Lobato numa época em que as crianças deste país ainda eram tratadas com severidade resgatou e estimulou o onírico infantil com seus escritos, do contrário para que seria editado o Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990 muitas décadas mais tarde então?
Lobato visionariamente trouxe lirismo a uma realidade crua, perversa e chocante a muitos brasileiros em idade escolar, como ainda hoje diante de tanto desamor e descaso são arremessados pela vida tendo somente a instituição pública como educadora.
Lobato se doou literariamente por compaixão aos pequeninos e por paixão à literatura brasileira.
Lobato ao escrever na obra ameaçada de exclusão “Caçadas de Pedrinho”: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". (...) "Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens", não faz apologia alguma ao racismo, apresenta um Brasil mais livre de preconceitos e isento de compreensões deformadas e tendenciosas, compreensões estas contemporâneas capazes exclusivamente de promover e fomentar sentimentos de inferioridade. Ele vê as pessoas como iguais, igualdade tão defendida e assegurada em nossa Constituição Cidadã promulgada em 1988 sob a égide de uma Constituinte legítima.
Lobato trabalha com graciosidade seus personagens apresentando ricos desdobramentos, do contrario por quais motivos pessoas se ocupariam em transformar “O Sítio do Pica Pau Amarelo” num seriado de infinitos episódios?
Quem de nós não se recorda das aventuras da Narizinho, das comidas deliciosas da Tia Nastácia ela que cozinhou até para São Jorge na lua, da risada feliz do Tio Barnabé, da sapiência do Visconde de Sabugosa que quase morreu empanturrado de álgebra e ainda assim ensina geografia e geologia, ajudando posteriormente a descobrir petróleo nas terras do sítio. E como ele sabe sobre petróleo... Da teimosia e tagarelice da boneca gente a Emília, das histórias embaladas pela cadeira de balanço da Vovó Benta, ou Dona Benta Encerrabodes de Oliveira, uma grande mestra na geografia, do besouro Mestre Cascudo entendido sobre as questões da terra e já naquela época um bravo defensor ambiental, do Lobisomen e seu folclore assim como o Saci Pererê, do peixe o Príncipe Escamado que ficou noivo da Narizinho e levou a turma para conhecer as maravilhas do fundo do mar, do Quindim um rinoceronte craque na gramática, do Rabicó um porquinho animado que virou Marquês, da Cuca que dormia uma noite a cada sete anos e seus mirabolantes feitiços, de Pedrinho e toda sua coragem...
Lobato, ah Lobato! Lobato foi pai, mãe literato, historiador. Lobato ajudou a história brasileira se situar nos anais da cultura mundial. Não somos um povo sem história como muitos dizem isso não é verdade temos uma bela história contada por uma diversidade infinita de institutos.
Eliminar obra de Lobato da lista de distribuição de livros às escolas da rede pública brasileira é o mesmo que riscar, apagar, expurgar, aniquilar a história de um país, e para, além disso, eliminar definitivamente possibilidades de comparações dos próprios avanços entre décadas é desconsiderar nossa própria história e autoritariamente impedir que novas gerações conheçam este universo encantado, rico e tão festejado de Lobato. Uma alegação de racismo como essa é desprovida de embasamento cultural, social, histórico e humanitário. É uma análise superficial descabida e eivada de subjetividades viciadas, e, por conseguinte, impeditivos categóricos de promover um norte, um parecer e olhar extemporâneo, uma opinião substancial e consistente devido à miopia que a assola.
Rechaçar a distribuição dos livros de Lobato nas escolas da rede pública é o mesmo que, por analogia, apagar a existência e o trabalho de Alberto Santos Dumont o pai da Aviação, assim considerando. Ambos em suas genialidades contribuíram e ainda contribuem enormemente com a nossa sociedade, com a nossa cultura, com as nossas raízes.
Sob o segundo momento, o aspecto jurídico ao qual me referi anteriormente apresento-o agora.
A doutrina mais abalizada no âmbito do pós-moderno Direito Administrativo defende a afetação dos atos discricionários de qualquer funcionário público sob a égide do Poder Judiciário. Diversas jurisprudências, ou julgados sob o tema já se formaram pelos muitos tribunais deste enorme país e todas favoráveis a respeito. É um direto de qualquer cidadão adentrar o certame e questionar esta esfera de discricionariedade - inclusive os atos do Presidente da República - capaz de produzir desconformidade com os interesses e necessidades coletivas. O interesse público não se sobrepõe mais como no passado, na contemporaneidade a sociedade avança substancialmente em defesa da democracia e participação cidadã, como agora faço, por exemplo, ao exercer meu direito de manifestação pela defesa de uma das obras de Monteiro Lobato, o qual nos presenteou com um rico Patrimônio Literário Histórico Cultural.
Por último, rogo ao Ministro como cidadã, apreciadora inveterada do imortal Monteiro Lobato e por último como escritora pela permanência da obra “Caçadas de Pedrinho” na lista de distribuição às escolas da rede pública não somente para 2011, mas para que se perpetue por todos os anos futuros se transformando, por assim dizer num dogma. É o mínimo que podemos fazer como um povo civilizado, culto e de consciência.
Ainda, vale lembrar se acaso a notícia veiculada não reproduzir a verdade dos fatos, sugiro ser enviado pelo Ministro, ou pelo departamento jurídico do Ministério um ofício ao Ministério Público Federal, para que dentro das suas atribuições de Custos Legis atue, investigue, processe e puna os responsáveis obrigando-os inclusive a publicar nota de desagravo na mídia sobre o tema.
Foi tópico de sucesso no Twitter: "MEC veta livro de Monteiro Lobato". E centenas de tweets indignados falavam em obscurantismo, babaquice políticamente correta, exagero.
Suspeito que grande parte sequer leu as obras de Lobato; conheceu o gênio pela adaptação do Sítio do Picapau Amarelo na TV. Perderam as delciiosas ilustrações de André Le Blanc, o texto maravilhoso do autor e... seu mórbido racismo. Na adaptação da obra para a TV, caparam o texto de Lobato para eliminar o racismo (e não só isso), e ninguém reclamou.
O que o MEC diz: o livro distribuído tem até um prefácio alertando para as impropriedades ambientais de Pedrinho, mas nada para alertar sobre o racismo. Só deve ir para as escolas se ese tema for tratado com a atenção que merece. Alguém contra isso por aí? Caramba, essa obra é para educar as crianças!
(Vi depois, claro, os críticos de sempre aproveitando o escândalo para apontar "jequice" no governo. É hilariante ver gente citando o Jeca Tatu de Lobato, outro fruto do preconceito do autor. Esse, Lobato corrigiu ainda em vida: num texto posterior ao Urupês, pede desculpas ao jeca, porque seu texto original e preconceituoso o culpava pelo atraso e, depois, o escritor descobnriu que sua aparente indolência era doença, resultado do péssimo sistema de saúde pública)
Do racismo, falei no post anterior. Vamos falar de outra coisa que mencionaram sem ler, o parecer do MEC. Muito lidas foram as matérias de jornal, que simplificaram ao ponto de desfigurar o parecer. Ele recomendou não incluir o livro "Caçadas de Pedrinho" entre as obras distribuídas à rede escolar, ou, distribuindo, acrescentar textos chamando atenção para o racismo embutido no texto, explicável pelas circunstãncias da época em que foi escrito.
Não é um arrazoado medieval o parecer do MEC, pelo contrário. Está repleto de referências elogiosas ao Lobato, e há comentários sobre como não se trata de banir seus livros das bibliotecas. Diz a nota técnica, segundo o parecer do MEC:
"A obra CAÇADAS DE PEDRINHO só deve ser utilizada no contexto da educação escolar quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil. Isso não quer dizer que o fascínio de ouvir e contar histórias devam ser esquecidos; deve, na verdade, ser estimulado, mas há que se pensar em histórias que valorizem os diversos segmentos populacionais que formam a sociedade brasileira, dentre eles, o negro."
Mas tem mais.
O parecer nota, ainda, que a edição bem cuidada do livro incluiu até uma introdução para chamar atenção sobre os avanços da legislação ambiental _ que já não permitiria Pedrinho nem seus fãs sairem caçando animais silvestres por aí. Mas sobre os estereótipos preconceituosos do negro e da África, não há nada. Está no livro:
"Caçadas de Pedrinho teve origem no livro A caçada da onça, escrito em 1924 por Monteiro Lobato. Mais tarde resolveu ampliar a história que chegou às livrarias em 1933 com o novo nome. Essa grande aventura da turma do Sitio do Picapau Amarelo acontece em um tempo em que os animais silvestres ainda não estavam protegidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), nem a onça era uma espécie ameaçada de extinção, como nos dias de hoje. (p. 19)."
Nota o parecer:
"Todavia, o mesmo cuidado tomado com a inserção de duas notas explicativas e de contextualização da obra não é adotado em relação aos estereótipos raciais presentes na obra, mesmo que estejamos em um contexto no qual têm sido realizados uma série de estudos críticos que analisam o lugar do negro na literatura infantil, sobretudo, na obra de Monteiro Lobato e vivamos um momento de realização de políticas para a Educação das Relações Étnico-Raciais pelo MEC, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação."
Segue o texto:
"Não se pode desconsiderar todo um conjunto de estudos e análises sobre a representação do negro na literatura infantil (Gouveia, 2005; Lajolo, 1998; Vasconcelos, 1982; entre outros)1, os quais vêm apontando como as obras literárias e seus autores são produtos do seu próprio tempo e, dessa forma, podem apresentar por meio da narrativa, das personagens e das ilustrações representações e ideologias que, se não forem trabalhadas de maneira crítica pela escola e pelas políticas públicas, acabam por reforçar lugares de subalternização do negro."
A questão foi levantada por um pesquisador da UnB que trata da temática racista em obras literárias. Não duvido que haja exageros na crítica do pesqusiador; reclamar contra o tratamento dado aos "animais da África" nos textos é ir um pouco além do combate ao racismo. Mas o fato é que há, sim, racismo nas obras de Lobato, e o drama do MEC é como lidar com isso. Não se pode simplesmente derramar o racismo de um fazendeiro paulistano genial dos anos 30 sobre a cabeça das crianças negras, brancas e pardas do século XXI.
Pela lei Afosno Arinos, aliás, se Emília dissesse as barbaridades que diz dos "beiços" e da feiúra de "preta" de tia Nastácia, ela iria para a cadeia de Taubaté com a velocidade de quem cheira pó de pirlimpimpim. (Aliás, o bom senso impediu até hoje que se perseguissem os livros de Lobato como incentivadores do uso da droga. mas ninguém reclamou também que a versão da TV tenha expurgado o pó mágico que dá charme à narrativa lobatiana: não tem crianças cheirando nada para viajar nas Reinações de Narizinho televisivas).
Mais parecer: " b) cabe à Coordenação-Geral de Material Didático do MEC cumprir com os critérios por ela mesma estabelecidos na avaliação dos livros indicados para o PNBE, de que os mesmos primem pela ausência de preconceitos, estereótipos, não selecionando obras clássicas ou contemporâneas com tal teor; c) caso algumas das obras selecionadas pelos especialistas, e que componham o acervo do PNBE, ainda apresentem preconceitos e estereótipos, tais como aqueles que foram denunciados pelo Sr. Antônio Gomes Costa Neto e pela Ouvidoria da SEPPIR, a Coordenação-Geral de Material Didático e a Secretaria de Educação Básica do MEC deverão exigir da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura. Esta providência deverá ser solicitada em relação ao livro Caçadas de Pedrinho e deverá ser extensiva a todas as obras literárias que se encontrem em situação semelhante."
E, ainda:
"A literatura pode ser vista como uma das arenas mais sensíveis para que tomemos providências a fim de superar essa situação. Portanto, concordando com Marisa Lajolo (1998, p. 33) analisar a representação do negro na obra de Monteiro Lobato, além de contribuir para um conhecimento maior deste grande escritor brasileiro, pode renovar os olhares com que se olham os sempre delicados laços que enlaçam literatura e sociedade, história e literatura, literatura e política e similares binômios que tentam dar conta do que, na página literária, fica entre seu aquém e seu além.
Diante do exposto, constata-se a necessidade de formulação de orientações mais específicas às escolas da Educação Básica e aos sistemas de ensino na implementação da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos."
OK, o texto do MEC mereceria surra com vara de marmelo de tia Nastácia; "olhares com que se olham" e "laços que enlaçam" são de amargar. Mas vejamos o voto da relatora Nilma Lino Gomes:
"Nos termos deste parecer, à vista do disposto no Parecer CNE/CP nº 3/2004 e na Resolução CNE/CP nº 1/2004, é essencial considerar o papel da escola no processo de educação e (re)educação das (e para as) relações raciais, a fim de superar o racismo, a discriminação e o preconceito racial. A despeito do importante caráter literário da obra de Monteiro Lobato, o qual não se pode negar, é necessário considerar que somos sujeitos da nossa própria época, porém, ao mesmo tempo, somos responsáveis pelos desdobramentos e efeitos das opções e orientações políticas, pedagógicas e literárias assumidas no contexto em que vivemos.
Nesse sentido, a literatura em sintonia com o mundo não está fora dos conflitos, das tensões e das hierarquias sociais e raciais nas quais o trato à diversidade se realiza. São situações que estão presentes nos textos literários, pois estes fazem parte da vida real. A ficção não se constrói em um espaço social vazio."
Em resumo, um pesquisador sensibilizado pela luta anti-racista denunciou o livro como contrário ás diretrizes estabelecidas pelos professores para o livro didático, os especialisats do MEC analisaram a denúncia e tiveram de admitir que a obra tem elementos racistas e concluíram que, do jeito que está, não deve constar da lista de distribuição, a menos que tenha uma orientação ao professor e aos pequenos leitores, mostrando que lá em 1933 havia mais racismo no Brasil e que não se deve tomar como padrão de conduta e valor o tipo de referência depreciativa que Lobato faz a negros.
Quem ainda discorda disso, tente, só por alguns minutos, imaginar-se negro, com um filho negro, ouvindo na escola seus herois personagens dizerem que bonito mesmo é só louro de olhos azuis e cabelos cacheados, e que os negros podem até ter uma bela sintonia com a sabedoria popular, mas a ciência está com a branca Dona Benta e seus netos brancos. Ah, e aqueles grossos lábios negros que você tem não são bem lábios, são beiços. Como os do gado.
A leitura de Lobato não fará de ninguém um racista. Mas seu racismo lido sem crítica em sala de aula não seria nada educativo.
(P.S. NO Globo, um "especialista" em Lobato reclama: "na época dele er diferente; estão lendo o Lobato com olhos de 2010". É, compadre, são esses os olhos das crianças que recebem os livros didáticos distribuídos pelo MEC. Abra o seu)
Passarinho dos pataxó ou Bolodjô para formar a roda do tempo de antes e viver a história
Canoeiro (d. Narcisa)
Domingas olhava o pai garimpando e pensava: ‘um dia dou conta de carregar a bateia pra achar uma pepita enorme!’ Ela sonhava com o dia em que acharia ouro, Não daquele que o pai e a mãe garimpavam o dia inteiro pra entregar ao dono das terras e do rio. Mas ouro que representasse a liberdade de seu povo.
Começo pedindo a bênção a todos os líderes políticos e espirituais que passaram por este planeta antes de nós, Cristo, Budha, Gandhi e Mandela, entre tantos outros
Peço a bênção para compreender o motivo de tanto rancor, tanto desamor...
Estamos chocados aqui em nossa casa em Pirenópolis, interior de Goiás .... acordamos hoje com a varanda suja de ovo.... alguem provavelmente indignado porque no portão de nossa casa tem uma faixa com a propaganda de Dilma, Lula e Íris Rezende e o vencedor de Goiás foi Marconi Perillo....hoje é um ovo.... e amanhã?
Aqui as crianças perguntavam: "pra quem vc torce?" - torcida? Isso é uma partida? O que está em "jogo" é a sustentabilidade e desenvolvimento de uma nação ... estou feliz embora esteja triste, sinceramente triste em perceber que a nossa aldeia está tão dividida, que tantos interesses individuais ainda estão em questão e não falo apenas dos políticos, mas do povo, de nós....não tenho dúvidas de que os políticos são reflexo da nossa gente, são pessoas como nós que se propuseram a assumir o jogo de perto.
Ontem ainda tive a oportunidade de assistir a um programa sobre o Darcy Ribeiro e o sentimento simplesmente se confirmou ... a educação que ele propunha, ele, Anísio e Paulo Freire, a pedagogia da praxis, teoria e prática funcionando juntas e ao mesmo tempo, essa foi sabiamente enterrada pela ditadura e até hoje ninguém conseguiu fazê-la renascer ... a teoria até que avançou um teco assim de nada, mas sem a praxis, é apenas mais uma lei.
Chegamos ao ponto de que se um cidadão expõe publicamente e em paz suas opiniões /vontades é alvo de algum doido insano que tem outra opinião. Isso, está claro, é falta de educação, não é falta de escola, mas de educação mesmo, papel que há muito tempo a escola deixou de cumprir .... conteúdo formal (e questionável) está há léguas de distância de ser educação.
Essa campanha foi muito violenta e estou terrivelmente chocada com isso ... amigos se ironizando e o país? Não pensei em nenhum momento em simplesmente defender um candidato, mas um projeto para a nação e continuo acreditando que foi por isso que tanta gente lutou até hoje antes de mim .... mas no discurso do Serra ele continua falando em luta, em guerra, em armas...
Eu sei que o Brasil é uma peça importante e fundamental para o novo mundo espiritual que está para nascer, sei também que nestes momentos as polaridades se evidenciam, mas meu sentimento de humanidade não consegue deixar de se sentir abalado.
Sou com e pelas energias de amor e consciência que estão disponíveis para nós neste momento. Antes que uns e outros gritem, a consciência a que me refiro é a do amor e não a do intelecto.
Que as luzes do amor guiem nossos passos em direção a todas as mudanças que precisamos realizar!
Daraína Pregnolatto Diretora Geral /Guaimbê - Espaço e Movimento CriAtivo Tuxaua de brincadeiras, ritos e redes populares Coordenadora Ponto e Pontinho de Cultura, Leitura, Estória, Valor, Mídia Livre e Cultura Digital Quintal da Aldeia /Pirenópolis GO Coordenadora Pontão Ação Griô Guaimbê das Nascentes & Veredas
A grande disputa política pós-eleições não será entre PSDB e Dilma. Será, mais ostensivamente, entre José Serra e Aécio Neves pelo espólio do PSDB brasileiro. Mais discretamente, entre Serra e Alckmin, pelo comando do PSDB paulista.
Este é Serra. Seu estilo político, sua compulsão, seu perfil psicológico é o do conflito permanente, da desagregação, do estilo trator. Só que desta vez não terá o respaldo de um cargo relevante nem a perspectiva de uma nova candidatura à presidência, seja pela idade, seja pelas mágoas que construiu ao longo de sua carreira.
Em seu discurso de ontem, Serra tentou preservar um legado político que consiste no seguinte:
A exploração dos temores de uma classe média assustada, similar ao processo que culminou na Marcha da Família no pré-golpe de 1964. Com a diferença que os tempos são outros.Uma estrutura de militância virtual agressiva e sem limites, que ajudou a espalhar infâmias por todo o país.O apoio de comentaristas da velha mídia, que não abandonarão a guerra santa contra Dilma.
É pouco.
No momento esses grupos apoiam Serra por ainda se estar no calor da campanha. Mas, com exceção da mídia, não são forças que possam ser mobilizadas fora do embate eleitoral
A não ser que Serra pretenda ressuscitar os fantasmas do Padre Peyton, de Penna Botto, do IBAD e virar santinho de procissão.
Quando baixar a poeira, os palanques estarão com Alckmin, em São Paulo, com Aécio no Senado, atraindo parcelas relevantes do PSDB não paulista.
É totalmente fora de cogitação que Alckmin sirva de escada para Serra em São Paulo. O apoio de Alckmin visou apenas preservar a unidade do partido, com um ingrediente que tanto Serra quanto FHC nunca praticaram: a lealdade partidária.
Quando assumiu o governo de São Paulo, a primeira atitude de Serra foi varrer de seus cargos todos os seguidores de Alckmin. Nas eleições para prefeito, apoio Gilberto Kassab jogando Alckmin para escanteio.
Alckmin representa muito melhor o eleitorado conservador paulista do que Serra. É conservador por formação; Serra, por conveniência. Tem uma postura pública discreta, sem «forçar a amizade» - estilo que o paulista, por formação, detesta. O Serra que emerge desse campanha, com esse neopopulismo forçado, invadindo casas de pessoas, lendo a Bíblia, é mais falso do que Cds da Santa Ifigênia. Conseguiu o cacife em São Paulo praticando campanha negativa. Muitos votaram contra Dilma; poucos votaram nele. Tem relacionamento ótimo com os prefeitos, ao contrário de Serra que sempre os tratoiu com desprezo. É religioso mas não explora a religiosidade.
Com Alckmin, o paulista conservador depositará seu voto sem torcer o nariz.
No plano nacional, será impensável pensar que Serra conseguirá se impor. É desagregador, não terá plataforma de apoio sequer em São Paulo. Na campanha, não conseguiu criar uma imagem positiva, para se contrapor ao lulismo.
Ainda levará alguns meses até a poeira assentar de vez. Assim que os ecos da batalha estiverem distantes, o PSDB terá duas novas lideranças, ou disputa espaço ou se acertando entre si: Aécio no plano nacional, Alckmin no plano federal.
A Serra e FHC restarão as entrevistas periódicas ou artigos nos jornalões: FHC falando de país, de conceitos, dando o tom; Serra se lamentando e discursando contra a corrupção e a favor de Deus, da pátria e da família.
“Foi como um milagre; diante de nossos próprios olhos, em menos de um segundo, todo o corpo se transformou em pó e desapareceu de nossa vista” (Drácula, de Bram Stoker)
Milhões de brasileiros tomaram este domingo de outubro nas mãos com imenso cuidado. Havia um compromisso. Era preciso devolver as trevas às próprias trevas, o atraso ao atraso, o esgoto ao esgoto, a farsa aos farsantes, o medo ao medo, o ódio aqueles que odiosamente o disseminaram e a hipocrisia de uma campanha aos hipócritas que a conceberam e encenaram. Para depositar o século 13, que recentemente nos visitou, no seu sepulcro de 700 anos. Ao final da tarde, o serviço estava feito e a missão cumprida. Bem antes das 12 badaladas que separam o dia que morre do dia que vai nascer soube-se, afinal, que a escuridão fora tragada pela própria escuridão.
Neste 31 de outubro, ensolarado para uns, sombrio para outros, os eleitores partiram de casa portando duas armas: voto e vontade. Juntas, ambas transformaram-se, diante da urna, em um instrumento de redenção. Mas foram além. Simultaneamente exorcizou-se o regressismo que acenava com um passado recente, mas também remoto graças aos adereços obscurantistas com que desfilou na campanha. A tarefa necessária foi realizada tendo a luz solar como cúmplice pois, como adverte a lenda, é quando o mal dorme na sua tumba. Vontade e voto viraram estaca enfiada à força de martelo no coração da miséria moral que nos assolou.
Quando a madeira rompeu a carne, houve um esgar, o pescoço se retorceu, as mandíbulas avançaram, os caninos se projetaram e as mãos ergueram suas garras além do esquife. Mas era tarde demais.
Morreu, de morte matada, um tipo de fazer política que foge da política para se refugiar na agenda paralela dos temas de convicção religiosa e comportamental, até então ausentes da disputa. Que, sem vigor para andar com as próprias pernas, valeu-se da muleta da religião. Que plantou no ambiente eleitoral o questionamento do Brasil laico, sacramentado em 1899 com o advento da República e da separação entre Estado e Igreja. Que traficou para a campanha um fundamentalismo até então ausente, veículo que carrega consigo a ameaça aos atuais direitos da mulher e tolhe sua luta para alcançar novos direitos como se planteia em qualquer sociedade justa e harmônica. E a negação de plena cidadania aos homossexuais. Distorções destiladas à superfície, mas, sobretudo, nos subterrâneos da infâmia.
Morreu um tipo de vale-tudo que fez do preconceito contra a mulher alavanca de uma retórica assumida no horário eleitoral – a adversária vista como marionete e despreparada – ou muito mais ofensiva, mentirosa e covardemente expelida nas cloacas remuneradas do telemarketing e da internet.
Morreu a pantomima como elemento de campanha. Que levou ao paroxismo a dramatização de um episódio inexpressivo imaginando, afoita e equivocadamente, que o apoio de uma imprensa conivente até a medula seria o bastante para transmutar o pouco em muito, a água em vinho e o fiasco em tragédia.
Morreu um tipo de candidatura e de candidato que escalou seu caráter como mero serviçal de uma ambição sem limites. Que não hesitou diante de nenhum dos abismos que se abriram a sua frente: o do ridículo, o da mentira, o da calúnia, o do horror medieval.
Alguém poderá dizer: mas será mesmo que tudo isso morreu? E terá razão. A morte política, eventualmente, permite ressurreições. Como, durante algum tempo, estratégias canalhas tiveram certo grau de retorno, nada impede que alguém as exume da cripta e as ponha a andar novamente. Ou seja, os tempos que virão não nos dispensam de cautela e, de novo, voto e vontade. Por enquanto, porém, a estaca está cravada e o vento já traz, dos sinos ao longe, o dobre de Finados. O 31 de outubro não sorriu para determinados políticos, projetos e práticas. Mas seu dia já os aguarda. Está chegando o 2 de novembro e a terra os espera. Que descansem em paz. Se puderem.
... Sem acesso ao olhar latino-americano sobre si mesmo, os brasileiros têm tido que se contentar com a imagem que o estrangeiro cria sobre a região. E esse retrato, em geral, não corresponde à realidade, reproduz preconceitos e acentua o caráter periférico da região, resultando, na maioria das vezes, em caricaturas. ... Leia a entrevista de Joana Rozowykwiat na TAL televisión Latino Americana
A necessidade de compreender o mundo dos brancos (warazu) para defender o território e a tradição xavante fez com que o grande líder Apowé, da aldeia Wederã (MT), tivesse, há aproximadamente quatro décadas, a ideia estratégica de introduzir jovens de seu povo neste ambiente desconhecido. Para executá-la, contou com o apoio de seu amigo Paulo Barbosa, fazendeiro em Mato Grosso. Barbosa, de Ribeirão Preto (SP), apresentou famílias amigas a Apowé e aos velhos da aldeia, localizada no município de Pimentel Barbosa, que escolheram quais brancos iriam acolher os jovens. Assim, na década de 70, oito adolescentes xavante cumpriram dois ritos de passagem: o da Tradição e o do mundo dos brancos – este com provas de saudade, medo e solidão. Siridiwe, Cipacé e cinco primos foram os desbravadores. Freqüentaram ciclos escolares, cufoto jurandirrsos técnicos, até a faculdade.
Hoje, Siridiwe lidera o Instituto de Tradições Indígenas (Ideti), criado como ONG, em 1999, e transformado, em 2004, em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Como ONG e como OSCIP, o instituto segue uma espécie de constituição resumida em uma frase do ancião Wabuá Xavante:
“Ninguém respeita aquilo que não conhece.
Precisamos mostrar quem somos, a força, a beleza, a riqueza da nossa cultura.
Só assim vão entender e admirar o que temos.”
O Ideti desenvolve projetos destinados a aproximar os povos. De registros multimeios, vídeos, CDs, fotos, a apresentação em espaços urbanos de suas cerimônias. A exibição do filme “Rito de Passagem” no Brasil e exterior – Japão, França, Bélgica, Alemanha e França – contou, de 2000 a 2007, com um público de 91.500 pessoas.
Em seu escritório no bairro da Liberdade, em São Paulo, Jurandir Siridiwe Xavante deu esta entrevista a Brasília Confidencial.
BC – Como as pessoas são escolhidas para o aprendizado fora da aldeia?
Siridiwe- A escolha é feita pela força da família, pelo investimento da comunidade da aldeia, ou também o lado do privilégio que seria o Cacique. O importante é que a comunidade vai dar essa saída para a cidade, para estudar. Então, a pessoa vai ter a preparação antes de entrar no mundo da cidade.
BC – Essa preparação começa…
Siridiwe – Começa com a alfabetização. Lá na aldeia tem alfabetização e curso até a quinta série. Observando os funcionários da Funai falando pelo rádio, o jovem se interessa e começa a aprender sobre aquele ruído que está sendo levado da aldeia para a cidade e da cidade para a aldeia, vai aprender todo tipo de oficio. Ele vai se aproximando para aprender como usa o instrumento e fica responsável pelo rádio de comunicação. Aprende a dirigir os carros da Funai, devagarzinho, e tratores, com o Programa da Lavoura. Então com toda essa assimilação, essa posse, o jovem pode tomar conta das ferramentas. Para mim acho que é o inicio de tudo.
BC – E depois que acaba a quinta série…
Siridiwe – Tem que estudar próximo da aldeia. Alguns vão para a metrópole para aprender, para participar dos acontecimentos do mundo que está mudando. Eu vivi isso. Na minha época, aprendi datilografia.
BC – Do Cerrado para a metrópole é radical mesmo.
Siridiwe – A cidade muda o comportamento. A gente é muito focalizado como assunto de documentário tipo filme. O jovem que está morando na cidade, ele está estudando, vendo a mudança na sala de aula, a fala dos professores, a noticia dentro da TV, ele dentro da cidade, as lojas – ele vai entendendo isso, ele vai estar dentro da metrópole. Essa incorporação ele vai entendendo.
BC – E a incorporação da tecnologia é usada como?
Siridiwe – O que é muito importante para nós, que vivemos na cidade, é que estamos assistindo a mudança e a gente vai estar com nossa consciência limpa. Com a tecnologia, vamos unir o útil ao agradável. É uma coisa que nós vamos tomar conta. Nós mesmos. Então, assim: nós fotografamos na câmera digital, registramos digitalmente o rito, a cerimônia, a fala. Então, a gente vai agora se apropriando, porque antigamente o terceiro fazia o papel do intérprete, o papel de como ele acha que deveria registrar o índio. Então, devagarzinho a gente vai ocupando o espaço dos acadêmicos, entendeu? Unir o útil ao agradável. O computador é uma ferramenta que qualquer cidadão, qualquer pessoa, qualquer ser humano pode utilizar. Usamos o computador, skype, twitter, MSN, GPS celular para denunciar, mapear a localidade, o entorno da sua localidade os problemas que acontecem; ou trazer coisa boa para a localidade. Alguma coisa tá acontecendo lá fora e tem essas ferramentas, é rapidão. A gente tá registrando dia a dia dentro da aldeia e aí essa ferramenta patrimonial é nosso diferencial.
BC – No que mais a cidade mudou o comportamento?
Siridiwe – Quando você fala de inserção, é tudo. É etiqueta, também. Estar bem uniformizado, bem vestido naquele ambiente para ser socialmente aceito. Assim como o uso da tecnologia do registro, ele vai ter que aprender todo esse manuseio para poder estar e registrar. Hoje tem muitos jovens fazendo designer gráfico, website, curso de computação. Isso é bom. E uns estão fazendo vários tipos de estudo: Assistente Social, História, Nutrição, Medicina, assim, anônimos no estudo. Então é claro que vai ter que aprender as ferramentas da tecnologia.
BC – Agora quem não é parente pode ter informações sobre a cultura indígena diretamente com vocês, sem passar pelo terceiro, não é?
Siridiwe – No Ideti a gente recebe muita mensagem e muitos “ok tudo bem, como é que é isso?” através dessa tecnologia da informática. No meio do Cerrado, no meio da floresta, o próprio primo Cipacé, no meio do cerradão lá, tem um computador. Ele tá lá na aldeia. Ele tem e-mail, acessa placa solar, conexão com satélite. Então já temos um meio de comunicação nessa floresta tropical, no Cerrado, na Mata Atlântica. O uso de páginas, site, isso é bom. O povo divulga a sua cultura. Documentário a gente pode fazer porque o material do índio pode ser multiplicado. Esse produto entra na camada do cinema, na camada da TV, esse material único que mostra ritual, acontecimento. Você exibe. Então a gente usa esse índio que sabe filmar, usa essa estratégia para divulgar nosso mundo. O celular muito jovem usa…
BC – Você fala em camadas do filme, camadas da TV, como foi a estória do CD Ritos de Passagem?
Siridiwe – É da Instituição. O Ideti é o proponente. Eu sou um dos diretores e estou na minha gestão. Qual é a minha política? No Brasil não há sempre um abismo? Como utilizo a estratégia para ficar mais próximo? Com a idéia de um projeto. Qual o pensamento do branco na cidade? Então vai ter que sacar a ideia da cidade, vou ter que fazer uma coisa de profissional. Como posso estar no mundo da prateleira? Vou ter que seguir o processo de entendimento para fazer o CD. A gente contrata grandes profissionais para fazer essa empreitada que é da instituição. Um cara que entende o uso de máquina para mostrar para os demais da cidade que é possível estar fazendo um bom trabalho. É claro que ele vai seguir a instituição. Mas precisa dessa aliança. Ele vai fazer serviço para a gente; de independente vai prestar serviço. Ele também faz parte dessa construção, o conceito é dele, mas seu trabalho fica como patrimônio da nossa comunidade. A gente trabalha no padrão de mundo do empreendedor
BC – Então aquele documentário que vocês fizeram para a BBC em julho de 2009, eles chegaram com tudo feito?
Siridiwe – Tudo feito, programado né, organizado. Quando a gente viu lá o roteiro, a gente mudou tudo. Eles tiveram que aceitar . Acho que é bom todo o povo que for visitado ter uma postura, que a divulgação da sua cultura possa ser bem boa. Com correção. Você não pode ser pano de fundo e o cara falar o que ele quiser. Se for assim, então a cultura dele também vai ser mal divulgada.
BC - Vocês ficaram acompanhando a equipe de filmagem o tempo inteiro, na cola ali dos caras?
Siridiwe – Na cola. Acho que isso é conscientização também. Com a gente não tem problema. O cara que for lá na aldeia, ele sabe que a gente tem experiência. Pela qualidade, tem a compreensão. É o mundo dos negócios. A gente tem que ter essa postura. Eles tão vindo com o mundo de negócio. A gente não pode abaixar a cabeça. Eles tão querendo alguma coisa, então você faz uma condição. E foi assim a política indigenista. Acho que, entre quatro paredes, Brasília fazia. Os 45 povos que a gente não tem contato, aquele povo isolado, eles tão vendendo pros canais, maracutaia
BC – Eles estão vendendo as reportagens para os canais internacionais?
Siridiwe – Com certeza.
BC – Aí vocês não podem ir lá …
Siridiwe – Aí é Amazônia lá, né. Mas na minha aldeia no cerrado, onde eu moro, com meu povo é melhor ter essa chance, né. Vai depender de cada caso. Estão estudando, aprendendo a inserção
BC – Assim como você foi um dos escolhidos, você escolhe também quem vai estudar o que?
Siridiwe – Não. O próprio jovem vai perceber o que gosta para estudar. No caso da gente que está dentro de uma instituição, a gente é só empreendedor. O registro do CD teve a finalidade de mostrar que existe diversidade. A maioria pensa que a gente fala a mesma língua. A gente quer quebrar paradigmas sobre o que o povo chama de índio. A nossa diretoria é composta por várias etnias e cada uma delas tem seu tempo de gestão. Estou na minha agora. A formação que o Brasil adotou tá tudo errado. Pela inserção, essa apropriação do útil e o agradável, a gente quer falar a nossa critica. A gente quer a construção do positivo. Por isso jovens das aldeias estudam História, Antropologia, Educação, Política – para a reformulação da cultura brasileira. A questão do índio surgiu por causa do movimento, por causa da nossa presença, como a gente entende. A gente entrou na questão do índio via burocrática, a gente foi convidado. Assessoramos, orientamos na política da questão indígena. Tem que ter essa conscientização: proteger, divulgar a nossa cultura. Não queremos que o terceiro que fez PHD vá falar por nós. Peraí. A gente faz também. Fica aí quietinho, vai ver sua cultura aí. Estuda a favela aí, deixa que a gente fala com o governo.
BC – O governo tem aceito?
Siridiwe – Ele tem que aceitar, porque é uma conquista da independência, autonomia. Inserção para mim é de 88 para cá com a Constituição. Antigamente o Estado, a autarquia, a Fjunai falava por nós. Hoje não; a presença da organização indígena é legitima, criada com uma finalidade. No caso do Ideti é cultura, meio ambiente, esporte, lazer e educação. O que o governo faz nos seus ministérios a gente cobra. A gente senta com o poder.
BC – Estou fantasiando aqui: você seria um ser místico, porque vive em dois mundos? Tem o Siridiwe aqui comigo conversando…
Siridiwe – Acho ótimo. É impressionante. Tô lá dançando pintado, no rio, à noite, olhando o céu estrelado, ouvindo a chuva… Isso é para quem pode sacar. A pessoa também tem que falar, é gostoso porque é seu mundo. A essência, o imã é lá. Você tem que sair porque a sua função é essa. Esse é que é o barato. Agora tô aqui na metrópole. Agora tô voltando. Volta e troca, sai e troca. Esse que é o bacana. Sou privilegiado, tenho que cumprir minha missão: o entendimento do por que estou nesse mundo, sem esquentar a cabeça, sem ficar com o cabelo branco; se enche o rio Tietê, se desmorona uma montanha, o aquecimento global, a violência. Em Copenhage, com certeza, os Povos Tradicionais não foram convidados. Então, cada um por si. Estou aqui assistindo a TV, filtrando a notícia. Quando chego lá, explico o que tem de bom, explico o que é polemico, pego os velhos, os novos, o estudante também, para entender o desafio.
BC – Aí é um momento especial na aldeia. Todo mundo é chamado na Casa dos Homens?
Siridiwe – Na Casa dos Homens. Aí tem uma conversa.
BC – Quem deu suporte no país para vocês aprenderem? Vocês foram pedir?
Siridiwe – Encontramos pessoas legais. Tem também o cara que só pensa nele, que pega carona para se promover. Tem esse risco. O índio no registro, no fotografar parece japonês, impressionante. Aí o uso da câmera não para. Mas esse organizacional nós não temos. Então vai haver esse encontro de pessoa que é entendido de como é o uso daquele vídeo, da formatação, do corte que vai ser usado. Ele pode ensinar como que vai ter corte de imagem no roteiro. Vai ensinar o macete da edição, de locução. O índio fazendo registro direto da aldeia, ele é o cara que toma cuidado com a imagem para divulgar a imagem boa ou fazer qualquer denúncia. Assim como o uso de celular ele vai ter que aprender. E quem pode aprender é o cara que estudou na cidade que está lá acompanhando a mudança da cidade, né, fazendo todos os processos para ele aprender. Então assim, é claro que para estudar ele vai ter que passar o processo: alfabetização, 1ª serie, 2ª serie… e faculdade. Todo esse tempo dentro da cidade vai acompanhar o que está acontecendo. É claro que vai usar o computador, claro que vai usar celular, câmera, editar, traduzir, ser ponte de comunicação desta estrutura; como ele está na cidade ele vai ter multiplicar a noticia ruim, boa, sob seu ponto de vista e ou traduzir sobre o seu povo, como nas vídeos-conferência com outros países, tipo França. Inserção do mundo indígena não quer dizer que ele esta deixando de ser índio. As pessoas chamam a gente de aculturado. Tem alguns que falam, né. Então assim: se olhar positivo, se olhar construtivo, a gente também, além de ser tradicional, pode estar participando dessa inclusão e de uso de tecnologia. A qualidade da imagem enviada, isso é bom para aldeia. Essa é a minha teoria útil e agradável.
Leonardo Boff - (do Vermelho.org) . Há duas formas principais de estarmos presentes no mundo: pelo trabalho e pelo cuidado. Como somos seres sem nenhum órgão especializado, à diferença dos animais, temos que trabalhar para sobreviver. Vale dizer, precisamos tirar da natureza tudo o que precisamos. Nessa diligência usamos a razão prática, a criatividade e a tecnologia. Aqui, precisamos ser objetivos e efetivos; caso contrário, sucumbimos às necessidades. Na história humana, pelo menos no Ocidente, instaurou-se a ditadura do trabalho. Este, mais do que obra, foi transformado num meio de produção, vendido na forma de salário, implicando concorrência e devastação atroz da natureza e perversa injustiça social. Representantes principais, mas não exclusivos, do modo de ser do trabalho são os homens.
A segunda forma é o cuidado. Ele tem como centralidade a vida e as relações interpessoais e sociais. Todos somos filhos e filhas do cuidado, porque se nossas mães não tivessem tido infinito cuidado quando nascemos, algumas horas depois teríamos morrido e não estaríamos aqui para escrever sobre estas coisas. O cuidado tem a ver mais com sujeitos que interagem entre si do que com objetos a serem gestionados. O cuidado é um gesto amoroso para com a realidade.
O cuidado não se opõe ao trabalho. Dá-lhe uma característica própria que é ser feito de tal forma que respeita as coisas e permite que se refaçam. Cuidar significa estar junto das coisas protegendo-as e não sobre elas, dominando-as. Elas nunca são meros meios. Representam valores e símbolos que nos evocam sentimentos de beleza, complexidade e força. Obviamente, ocorrem resistências e perplexidades. Mas elas são superadas pela paciência perseverante. A mulher, no lugar da agressividade, tende a colocar a convivência amorosa. Em vez da dominação, a companhia afetuosa. A cooperação substitui a concorrência. Portadoras privilegiadas, mas não exclusivas, do cuidado são as mulheres.
Desde a mais remota antiguidade, assistimos a um drama de consequências funestas: a ruptura entre o trabalho e o cuidado. Desde o neolítico se impôs o trabalho como busca frenética de eficácia e de riqueza. Esse modo de ser submete a mulher, mata o cuidado, liquida a ternura e tensiona as relações humanas. É o império do androcentrismo, do predomínio do homem sobre a natureza e a mulher. Chegamos, agora, a um impasse fundamental: ou impomos limites à voracidade produtivista e resgatamos o cuidado ou a Terra não aguentará mais.
Sentimos a urgência de feminilizar as relações; quer dizer, reintroduzir em todos os âmbitos o cuidado especialmente com referência às pessoas mais massacradas (dois terços da humanidade), à natureza devastada e ao mundo da política. A porta de entrada ao universo do cuidado é a razão cordial e sensível que nos permite sentir as feridas da natureza e das pessoas, deixar-se envolver e se mobilizar para a humanização das relações entre todos, sem descurar da colaboração fundamental da razão intrumental-analítica que nos permite sermos eficazes.
É aqui que vejo a importância de podermos ter providencialmente à frente do governo do Brasil uma mulher como Dilma Rousseff. Ela poderá unir as duas dimensões do trabalho que busca racionalidade e eficácia (a dimensão masculina) e do cuidado que acolhe o mais pobre e sofrido e projeta políticas de inclusão e de recuperação da dignidade (dimensão feminina). Ela possui o caráter de uma grande e eficiente gestora (seu lado de trabalho/masculino) e ao mesmo tempo a capacidade de levar avante com enternecimento e compaixão o projeto de Lula de cuidar dos pobres e dos oprimidos (seu lado de cuidado/feminino). Ela pode realizar o ideal de Gandhi: "política é um gesto amoroso para com o povo".
Neste momento dramático da história do Brasil e do mundo é importante que uma mulher exerça o poder como cuidado e serviço. Ela, Dilma, imbuída desta consciência, poderá impor limites ao trabalho devastador e poderá fazer com que o desenvolvimento ansiado se faça com a natureza e não contra ela, com sentido de justiça social, de solidariedade a partir de baixo e de uma fraternidade aberta que inclui todos os povos e a inteira a comunidade de vida.
(...) Em um dos raros momentos com alguma eletricidade no debate, a petista reparou que é o governo federal “quem cuida dos pobres de São Paulo”, atendendo 1,1 milhão das 1,4 milhão de famílias carentes do estado governado pelo PSDB. A intervenção aconteceu pouco depois de Serra elencar uma série de políticas sociais de seu programa.(...)
Ayrton Centeno sobre último debate entre os candidatos.
O presidenciável José Serra encerrou comício em Uberlândia (MG), à noite passada, apelando às “meninas bonitas” para que consigam votos junto a seus pretendentes.
”Se é menina bonita, tem que ganhar 15 votos. É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45″.
O tucano pediu que cada profissional que trabalha na saúde consiga 5 votos pra ele.
“Temos que ganhar voto de quem está indeciso, voto de quem não está ainda muito decidido do outro lado”, conclamou o candidato, que passou o dia em Minas Gerais.
Em “A puta respeitável” (La putain respectueuse - 1946) Sarte ilustra a alienação daqueles que não encontram , na opressão, a força para se revoltar, e tornam-se vítimas que consentem a ordem estabelecida, mesmo quando descobrem que esta ordem se baseia na violência e injustiça.
A senadora e ex-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, repeliu ontem o que o comando nacional do Partido Verde chamou de “iniciativas fraudulentas” para envolvê-la em ações de apoio à candidatura de José Serra (PSDB).
“Não usem meu nome para o vale-tudo eleitoral”, afirmou a senadora, de acordo com informações de sua assessoria.
A falsa declaração de voto de Marina no candidato tucano foi feita com um endereço de e-mail que não corresponde ao dela e publicada no blog Eu Vou de Serra 45.
“Infelizmente, muitos não aprenderam nada com os resultados das urnas e continuam a promover a política de mais baixo nível ao usar estratagemas banais para buscar votos”, criticou a senadora.
De acordo com o portal Terra, o e-mail falso seria direcionado aos eleitores de Marina contendo um “pedido” da senadora para que haja união em torno da candidatura tucana.